Vespa asiática avança por Portugal

[Notícia publicada originalmente na versão em papel do AuriNegra de 19 de Setembro de 2014]

Chama-se vespa velutina mas também é conhecida por vespa asiática e a sua presença em solo português tem deixado os apicultores em sobressalto.

Esta espécie de vespa é perigosa e têm sido vários os casos – ultimamente, também na região centro – em que dizimam colmeias, uma vez que caçam abelhas com o intuito de fornecerem alimentação proteica para a sua criação.

No trabalho “A Vespa Velutina: A situação em Portugal”, o investigador e também apicultor Miguel Maia, refere que “se pensa que o seu aparecimento tenha sido devido a um transporte de bonsais (ou outro material vegetal) com origem na China, e que chegou a Bordéus (França) no ano de 2006”. Em Portugal, os primeiros ninhos foram detectados em 2011 e desde então têm vindo a surgir em vários locais do país.

Alberto Jesus, apicultor do concelho de Cantanhede, mostra-se preocupado com o avanço rápido destas vespas em Portugal, no entanto considera que “apesar de perigosas, são nossas conhecidas, tanto a nível de ciclo de vida como a nível de comportamento, o que pode funcionar a nosso favor”

Estas vespas-asiáticas reagem quando são provocadas e os seus ninhos, que contêm a rainha e dezenas de vespas obreiras, situam-se, principalmente, em árvores  com alturas superiores a 5 metros. O seu ataque é de tal forma violento que, por dia, no pico de produção, cada ninho destas vespas chega a consumir meio quilo de abelhas, ou seja, cerca de 5 mil.

Para além de “exterminar” outras espécies de vespas e insectos, as velutinas também são perigosas para o humano. Uma vez provocada, pode seguir uma pessoa por uma distância maior que 50 metros e normalmente atacam em conjunto, o que resulta em picadas sucessivas.

Diferenças entre a vespa crabro e a vespa velutina

Segundo o investigador Miguel Maia, o controlo da invasão destas vespas em Portugal só pode ser feito através da destruição dos seus ninhos.

Porém, João Gomes, também apicultor de Cantanhede, afirma que o mais importante é atacar principalmente os ninhos de fundadoras e não das obreiras, que é aquilo que considera que tem vindo a acontecer, “por falta de informação dos apicultores mas também por falta de acção das entidades competentes, neste caso do Ministério da Agricultura”.

Ninho de vespa velutina encontrado em Covão do Lobo

O que acontece é que muitas das vezes as vespas-asiáticas são facilmente confundidas com as vespas crabro. “Acaba por pagar o justo pelo pecador. A Cabro, que é uma espécie autóctone com implicações mínimas para a nossa abelha, está a sofrer com a má fama da velutina – uma predadora nata de abelhas que está a ganhar cada vez mais território”, conclui João Gomes.

A distinção entre as duas abelhas pode ser feita através de algumas diferenças morfológicas : Enquanto a vespa velutina se caracteriza por ter um abdómen de cor mais escura com algumas listas finas e as extremidades das patas amarelas, a vespa crabro apresenta uma mais clara e listas mais visíveis.

 Autor: Carolina Leitão