Uma cantanhedense altruísta

 

Criar sorrisos nos rostos de quem mais necessita. Esta é uma das missões de vida da cantanhedense Maria Sarabando, que recentemente venceu um concurso da rádio RFM à conta deste seu carácter altruísta.

Maria Sarabando não queria acreditar quando lhe ligaram da rádio a anunciar que havia sido uma das 3 vencedoras de um concurso no qual nem sequer havia participado.

Maria Sarabando com Ahmed

“Pelos vistos a RFM tinha um concurso patrocinado pela Bayer e pela Aspirina para encontrar as pessoas mais altruístas de Portugal e que consistia em contar as histórias de pessoas consideradas altruístas, sendo que, no final, um júri escolheria os três vencedores”, começa por explicar.

Conhecida pela sua generosidade e personalidade proactiva em prol dos outros, Maria Sarabando contou com vários dos seus amigos que se juntaram e partilharam com a RFM “as minhas histórias, sonhos e projectos”. O prémio, que entretanto será entregue, é de mil euros que serão doados a uma instituição que já foi escolhida: A Terra dos Sonhos.

Desde pequena que Maria Sarabando alimenta esta veia solidária. “Quando andava no 5.º ou 6.º ano, recordo-me de uma colega que não tinha tanta roupa quanto eu e por diversas vezes ‘perdi’ algumas coisas para lhe dar”, começa por contar, timidamente.

Mas, como explica ao AuriNegra, “este lado mais consciente do outro e da solidariedade surgiu em 2014 quando me cruzei com o Ahmed, um sem-abrigo que se tornou meu amigo e que hoje, felizmente, tem a vida mais orientada e já tem um teto”.

“O que me tocou foi a honestidade dele. Foi, entre tantas histórias, um dia perguntar-lhe quanto dinheiro lhe faltava para uma lata de feijão, ele dizer 0,42€, e quando lhe dei 2€ dar-me o troco. Ou quando, no dia do seu aniversário, lhe dizer que lhe oferecia o almoço e depois de lhe dar dinheiro ele trazer-me a fatura e o troco!”.

Neste sentido, em 2014 e 2015 Maria Sarabando começou por promover uma recolha de bens alimentares para alguns sem abrigo das Caldas da Rainha [localidade onde trabalha]. Depois disso percebeu que tinha que fazer algo mais por quem precisava e começou como voluntária na Refood, na equipa da recolha noturna.

“Em 2016, enquanto voluntária da Refood, e motivada pela minha sobrinha Maria decidi partilhar um sonho: Garantir que todas as crianças/jovens das famílias beneficiárias da Refood recebessem um presente de Natal novo”. Assim, numa noite após a recolha de alimentos, partilhou o seu sonho no facebook.

“Começava com um ‘Sim, acredito. Acredito que é possível’ e aos poucos viu crescer o número de ‘gostos’, comentários, transferências bancárias. E dos presentes novos para as crianças passei a conseguir também roupa e um cabaz de Natal para cada família. Os olhares das crianças, as lágrimas partilhadas, os sorrisos envergonhados e o agradecimento sincero por ‘este ano os meus filhos viveram um Natal diferente com comida na mesa’, fez com que eu tivesse a certeza que este é o meu caminho e um dos meus propósitos de vida!”.

As iniciativas solidárias continuaram a fazer parte dos planos da cantanhedense. Em 2017, com os incêndios que deflagraram no País, promoveu, juntamente com amigos, a recolha de roupa e bens, que distribuíram palas pessoas afectadas. “Fiz amigos, chorei, partilhei abraços, sorrisos, esperança e lágrimas de emoção e fui verdadeiramente feliz! Quando tudo se perde, por vezes um abraço e um sorriso bastam”. A campanha de Natal manteve-se em 2017, com cerca de cem pessoas envolvidas e cabazes com bacalhau, roupa, calçado e os presentes novos. O ano de 2018 não será exepção “e está prestes a arrancar o projecto de natal 2018”

No entanto, Maria Sarabando frisa que não consegue nada sozinha. “Tenho muitos agradecimentos a fazer. Em primeiro lugar o núcleo duro da minha família, 6 magníficas mulheres e o Tio Mário, que ajudam na logística dos presentes (compras, seleção, distribuição e embrulhos) e nos cabazes. Depois, todos os amigos que me acompanham, que me fazem acreditar, que dizem ‘presente’ mesmo antes de saber o que vou fazer ou como vai acontecer! Pessoas que não duvidam de mim e que mesmo sem me conhecer me contactam de vários lugares do Mundo para me dizer que confiam em mim e vão enviar algum dinheiro para eu utilizar como melhor entender”!

Na entrega de cabazes

“O ano passado, por exemplo, o bacalhau foi todo doado (obrigada André pela ajuda, em particular ao Tony!), o escultor caldense Carlos Oliveira juntou-se ao projecto e deu um grande número de presépios para vender e assim juntar mais uns euros, a Cláudia que vendeu fatias de bolo aos colegas de trabalho, anónimos que me ouvem partilhar a história e o sonho no café e me dão dinheiro sem pedir, e tantos e tantos amigos e desconhecidos”.

Quanto ao prémio da RFM, Maria Sarabando diz que foi “uma grande emoção e um momento de enorme alegria, apesar de não fazer o que faço com o objectivo de receber prémios ou ser reconhecida”. O prémio, refere ao AuriNegra, foi ainda mais especial “porque não partiu de mim mas sim da Teresa, que motivou a Joana, a Célia, a Cândida, o Dr. Vitor e a Marta a partilharem histórias, algumas das quais já nem eu me lembrava”. Agora, só falta entregar o prémio à associação Terra dos Sonhos, que realiza os sonhos de crianças e jovens com doenças crónicas e/ou institucionalizados e idosos. “Quando vi o título do Hino e o videoclip da associação pareceu-me uma excelente escolha, porque ‘Um sorriso vale tudo’!”

Autor: Carolina Leitão