Tony – grande Carreira

11h30, Expofacic, Cantanhede. A feira-festa encontra-se submersa numa audiência especial, onde se cheira a paciência deles e a alegria delas, nesta plateia maioritariamente feminina. Mas não só.

O ambiente é de festa, e paira, também, alguma tensão, mas feita de sensualidade pouco disfarçada. Elas – e só elas –, empunham grandes cartolinas onde transbordam palavras de admiração fanática, enquanto esperam, ansiosas e incontidas, pela aparição de Tony no palco principal da Expofacic. Mas o que motiva este fenómeno?

Fomos à procura de uma explicação.

Na crença de que o espaço mais povoado do recinto seria a zona verde, aquando da emissão do ‘Somos Portugal’ pela TVI, vemos, ainda longe, uma mancha de pessoas que utiliza as cadeiras ou toalhas no chão, como anestesiantes para aguentarem tantas horas à espera do que algumas consideram como o seu “antidepressivo.”

O Aurinegra foi na onda desta multidão para tentar descobrir uma ‘resposta’, indo além do tom de amena cavaqueira que, por norma, rotula as fãs do músico.

Começámos a trilhar, sorrateiramente, a admiração destas esfuziantes fãs com perguntas do género: “O que sente pelo Tony?” (e elas riam-se), “Porque é que gosta tanto dele?” (e elas riam-se mais). “O que é que ele tem para atrair tanta mulher?” (e elas riam-se ainda mais…).

A resposta poderia ser só a alegria que exibiam quando se falava de Tony Carreira. E os elogios com que o elevam ao pedestal de ‘Deus grego’, em terras lusitanas.

Os ingredientes divulgados pelas fãs, nesta receita que configura ‘o anjo em forma de homem (e português)’, são os dum “senhor educado e charmoso, que goza duma postura superior face às acusações; que nutre uma grande amizade pelas suas fãs e as faz sentir parte de si.”

Tais afirmações levaram-me a diagnosticar o que defino como ‘Tonycarreirofilia’, que procura traduzir o erotismo sentido em redor do artista. Os sintomas verbalizados: “sonhos inconfessáveis”, “assistir a mais de 100 concertos dele”, “comprar todos os bilhetes das suas próximas actuações, assim que disponíveis”, “só tocar o Tony no carro, calando de vez a rádio” e até “sair do hospital, sem alta, para o ouvir ao vivo.” Assim, o Tony é elevado a vício irresistível, que até pode ser fatal. Mas porquê?

“Vivo na infelicidade de cair em quase todos os concertos do Tony. Certo dia, a queda foi grave e precisei de tratamento hospitalar. Vestia, no momento da queda, uma camisola do músico. Para que cuidassem da minha ferida, era necessário que a rasgassem. Eu não queria que o fizessem, pedi mesmo que a deixassem imaculada. Mas lá teve que ser…

O choque foi tão grande que precisei de internamento. Curiosamente, hoje, o meu ombro e dorsal direito lembram-me, dia-após-dia, o artista, dadas as enormes cicatrizes com que fiquei. Porém, o que acho mais incrível, nesta história, foi a energia que se desencadeou em mim, quando soube da possibilidade de ir a mais um concerto dele. Essa energia foi (e é) tão – mas tão -, radiante que, ainda internada, saí do hospital, sem alta, para o ouvir, outra vez, noutro espetáculo.”

Este testemunho demonstra que ‘Tony’ está longe de ser apenas ‘um caso de música’.

Viajar, ir a sessões de autógrafos, ler tudo o que sai na comunicação social sobre ele, é muito mais do que uma forma de apreciar sons/melodias. É “um estilo de vida”, como as próprias o resumiram.

“Acompanhamo-lo há mais de 12 anos!”. E organizam excursões, a fim de “aliviar o stress diário”, sendo que muitas o conhecem “há mais tempo do que aos nossos maridos”!…

Porquê? Porque sentem necessidade de agir assim. De outro modo, também não seriam ‘fãs do Tony.’ E não o seguiriam, “religiosamente”, até à Expofacic, ao MEO Arena, aos Coliseus, o do Porto e o de Lisboa, e a tantos outros palcos de Norte a Sul de Portugal e em muitos outros países.

Há mesmo coisas que não têm explicações racionais…

Autor: Rúben Sousa