Terras e gentes – Recordando o Júlio Camarão

Foi ontem, há cinco anos, que a Tocha disse adeus ao Camarão, à figura emblemática do pescador da nossa praia que continuamos a sentir por perto cada vez que ali olhamos o mar e pisamos as areias brancas que nos guardam os mil afectos! Ficou-nos a memória, a memória daquele homem que calcava a tristeza com a alegria de viver, aquele homem que tinha sempre mais uma estória e um episódio para contar com o seu rir contagiante e puro. É assim que é recordado entre os amigos, é assim que dele já se escreveu, é assim que é lembrado por quantos alguma vez se cruzaram com ele. Disse Vinícius de Morais que nunca viu grande amizade nascer em leitaria, enquanto Abram Lincoln nos deixou o pensamento que refere que um homem sem vícios é um homem de poucas virtudes. De facto, eu nunca vi o Camarão beber leite, mas sei das suas virtudes!

Autor: António Castelo Branco