Tasquinha de São Tomé e Príncipe: sabores de África na Expofacic

Dia 29 de Julho, 20h30, hora de jantar, hora de vogar pela rua de sabores da EXPOFACIC e descobrir o sítio ideal para recarregar energias.

Depois duma leitura relanceada pelos nomes e as regiões de cada tasquinha, rapidamente percebemos que quase todas emanam de freguesias do concelho de Cantanhede.

Foge à regra a de São Tomé e Príncipe, o cantinho onde se degusta a cultura, as memórias de muitos e o desejo de visitar tal país, por parte de novos apreciadores, que de alguma forma se sentiram lá, através da comida.

Mas por que motivo é esta tasca um local tão apreciado? Serão as mãos mágicas das cozinheiras? As receitas? A autenticidade dos ingredientes?

O Aurinegra foi ouvir a equipa feminina de cozinheiras, que se considera amadora – ainda que, na boca de críticos, seja elevada ao pedestal de chef (e dos bons!).

O que trazem de novo?

A oferta é muito variada. Procuramos, essencialmente, trazer o melhor de São Tomé, utilizando os ingredientes/produtos oriundos de lá, na forma mais natural possível, a fim de podermos aproximar o povo português da gastronomia santomense.

Como têm sido recebidas pelo povo português?

Os portugueses, dum modo geral, são um povo muito hospitaleiro, e nós sentimos isso aqui. As pessoas aderem bem, experimentam e ficam felizes com aquilo que provam.

A meta deste ‘projecto’ é?…

Essencialmente, alargar horizontes e permitir que possam conhecer parte da nossa rotina.

Que critério norteou a escolha do vosso cardápio?

Nós procuramos cozinhar pratos que agradem até às pessoas mais receosas, mas sempre com ementas que são verdadeiramente típicas de São Tomé e Príncipe.

Isto é: existem pratos que se assemelham mais à gastronomia portuguesa, porém, nesses fazemos questão de dar um toque nosso, um toque africano das nossas ilhas.

Por exemplo, substituímos as batatas fritas pelas bananas fritas, o arroz branco pelo arroz de açafrão e, até num mero churrasco de frango, procuramos, sempre, temperá-lo ao gosto de São Tomé.

Mas não esquecemos que nos procura também um público muito exigente, que gosta de experimentar coisas novas e arriscar; que gosta de sentir-se em São Tomé, apesar de não ter saído de Portugal. Por isso também servimos receitas que são o verdadeiro ‘dia-a-dia’ do povo de São Tomé e Príncipe, sendo estas mais complexas/difíceis de confeccionar, mas igualmente saborosas.

Quais os adjectivos que descrevem a gastronomia São Tomense?

Fantástica, saborosa, exótica e… afrodisíaca!…

Os ingredientes característicos da vossa ‘cultura de comer’ distinguem-se das restantes?

Utilizamos muito o picante e ervas aromáticas provenientes das ilhas. O que mais nos destaca são mesmo as ervas aromáticas.

Sendo a 14.ª vez consecutiva na EXPOFACIC, têm algum público que vos acompanha?

Temos definitivamente clientes habituais em todas as edições. E posso dizer que nos seguem, desde o início, há 14 anos.

Têm algum restaurante fora desta tasca, onde possamos degustar tais pratos?

Não. Somos completamente amadoras, mas amantes de cozinha. Gostamos de cozinhar e apostamos nisto.

Não estamos interessadas em abrir um restaurante, pois cada uma de nós ter uma vida profissional estabelecida. Contudo, a EXPOFACIC é uma feira-festa muito aprazível e gostamos de participar.

Como classificam a edição deste ano?

O desenrolar da feira-festa tem sido positivo. E isso vê-se pela frequência com que as pessoas aparecem aqui, porque já nos conhecem e vêm vários anos consecutivos, com o objectivo de experimentar algo diferente. Alguns até já sabem o cardápio de cor.

Isso demonstra o à vontade vivido connosco, pois conhecem toda a equipa e sabem a dificuldade em encontrar estes pratos típicos, pelo que fazem questão de vir, quando aqui estamos, e trazem novas pessoas.

Ao criarem esta tasquinha, houve a intenção de chegarem à população portuguesa que nasceu ou viveu nas antigas colónias de África?

Sem dúvida. Tanto assim que, apesar desta ser‘a tasquinha de São Tomé e Príncipe’, nós incluímos todos os anos, no cardápio, um prato típico de Angola e outro de Cabo-Verde, nomeadamente a ‘Muamba de galinha’ e a ‘Cachupa’ porque sabemos que grande parte da população portuguesa mantém uma relação muito forte com esse passado.

Autor: Rúben Sousa