Secretário de Estado do Ambiente veio a Mira e Cantanhede

Na sequência dos contactos realizados com o executivo municipal de Mira acerca da alongada problemática do transporte dos sistemas de saneamento que atravessam o concelho, o Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, esteve esta quarta-feira, dia 12 de Dezembro, reunido em Mira, com vereadores, deputados municipais do PSD, PS e MAR e os executivos das quatro juntas de freguesia.

Na reunião, este membro do governo apresentou o estudo efetuado ao comportamento das redes de saneamento de Mira e Cantanhede, que permitiu a caracterização e identificação dos seus problemas, permitindo concluir que “os principais focos se situam nas zonas industriais de Cantanhede e Tocha”.

Face às propostas apresentadas, houve total unanimidade entre os autarcas de todos os quadrantes políticos, deixando bem claro ao Secretário Estado que Mira “não aceitará nenhuma solução que não passe pelo tratamento e rejeição dos efluentes de Cantanhede no próprio concelho de Cantanhede, não utilizando, em nenhum caso, o sistema hídrico de Mira”.

Ficou ainda expressa, de forma unânime “por todas as forças politicas e movimentos, a preocupação e a necessidade de serem encontradas soluções intermédias imediatas que acabem de vez com a rejeição de efluentes no sistema hídrico de Mira, até que seja encontrada solução final permanente”.

Já na reunião com os autarcas de Cantanhede, Carlos Martins garantiu que até ao final do próximo mês de Janeiro haverá uma decisão sobre a solução a adoptar para diminuir o volume dos efluentes canalizados para o “Intercetor Sul” da Águas do Centro Litoral (AdCL), nas Cochadas, Freguesia da Tocha, de modo a acabar com a sobrecarga de caudais e eliminar definitivamente a necessidade de realização de descargas do colector.

Segundo o Secretário de Estado do Ambiente, estão nesta altura a ser avaliadas três hipóteses, duas das quais passam pela construção de uma ETAR com tratamento terciário no concelho de Cantanhede, para onde serão enviados os caudais produzidos numa parte do território servido pela rede ligada ao “Interceptor Sul”, que se manterá a drenar um volume consideravelmente inferior de águas residuais, eliminando assim a necessidade das descargas que têm vindo a ocorrer na vala da Vela e em áreas adjacentes.

Os locais que estão a ser equacionados para a construção da ETAR são o lugar de Pisão, na Freguesia de S. Caetano, no limite do concelho, ou, em alternativa, as Cochadas, na freguesia da Tocha, em qualquer dos casos para tratamento terciário dos efluentes drenados pelos sistemas que servem várias freguesias. A terceira possibilidade que está a ser avaliada tem localização prevista para o concelho de Mira.

“Qualquer das soluções será tecnologicamente avançada e garante maior segurança do ponto de vista ambiental”, afirmou o Secretário de Estado, sublinhando que “o resultado do tratamento terciário são águas que podem ser utilizados para rega e outros fins, até para a criação de planos de água em áreas de lazer, existindo vários bons exemplos disso no país”. 

Da parte da presidente da Câmara de Cantanhede não há “reservas a qualquer das soluções previstas, o que não queremos é uma ETAR com sistema de infiltração como a que chegou a ser equacionada para a freguesia da Tocha, pois essa sim teria impactos ambientais profundamente nefastos. Batemo-nos contra tal solução e felizmente que ela foi abandonada”, sublinhou Helena Teodósio relativamente a uma decisão que mereceu também o aplauso do presidente da Junta de Freguesia da Tocha, Fernando Pais Alves. O autarca chegou mesmo a afirmar que “o abandono da solução da ETAR com sistema de infiltração que esteve prevista para a freguesia da Tocha foi uma das grandes alegrias que tive em trinta anos de vida autárquica”.

Para a presidente da Câmara de Cantanhede, “o importante é que haja agora uma decisão quanto à solução a implementar e que se avance urgentemente com o projecto”. A este propósito, Helena Teodósio alertou para “a necessidade de a nova infraestrutura ser devidamente dimensionada para responder às perspectivas de aumento dos efluentes, em função do crescimento urbano e da instalação de novas empresas nas zonas industriais, que aliás estão a registar grande procura nesta altura”.

O Secretário de Estado assegurou que “esse aspecto será devidamente acautelado na solução que vier a ser adoptada”. Referindo que “em Janeiro haverá uma decisão sobre a localização da ETAR”, o secretário de Estado afirmou que, “tendo em conta todo o processo a desenvolver, desde a concepção até à construção, passando pelos aspectos administrativos inerentes, ela não entrará em funcionamento antes de dois anos. Até lá”, adiantou Carlos Martins, “a única coisa que pode ser feita quanto às descargas do “Interceptor Sul” da AdCL é continuar a monitorizar no sentido de identificar e impedir situações que revertam na sobrecarga do sistema”.