Secretário de Estado da Saúde visitou hospital Rovisco Pais

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, visitou na sexta-feira, dia 4 de Novembro, o hospital Rovisco Pais.

Na ocasião, o governante referiu que está disponível para apoiar a preservação de edifícios e memórias associadas à antiga leprosaria nacional, localizada no ex-hospital Rovisco Pais, na Tocha, hoje centro de medicina de reabilitação.

Em declarações à agência Lusa, à margem da visita, Manuel Delgado frisou que o património edificado num espaço de 140 encerra memórias relacionadas com a chama doença de Hansen (lepra) “que não podem ser abandonadas”.

“Há uma capela única a nível nacional [com planta em V], que separava os géneros [homens de um lado, mulheres do outro, sem se cruzarem]. Há espaços que representam a própria doença que têm de ser preservados, o conselho de administração está a pensar criar um núcleo museológico e nós estamos disponíveis para apoiar, até como circuito museológico nacional na área da Saúde”, afirmou Manuel Delgado.

Questionado sobre se noutro qualquer país os edifícios da década de 1940 rodeados por área florestal, perto do mar, onde estiveram instalados os serviços da antiga leprosaria nacional, não estariam todos recuperados, o governante negou estar a visitar um território ao abandono.

“Ele não está tão abandonado como isso, não é uma visita a um território ao abandono. É um território em desenvolvimento, com as limitações que o país tem, com as condições adversas que vive, mas há aqui muito trabalho, muita preservação e desenvolvimento, até do ponto de vista científico e tecnológico”, disse Manuel Delgado, aludindo ao Centro de Medicina de Reabilitação Rovisco Pais, criado em 1996 e que recebeu os primeiros doentes em 2002, com 30 camas.

“Estamos numa área enorme, há edifícios, uns completamente abandonados, dois ou três, mas a maior parte deles estão recuperados, bem e a funcionar”, acrescentou o secretário de Estado da Saúde. Ao mesmo tempo, mencionou a novos investimentos projectados para Rovisco Pais, como a recuperação da enfermaria dos doentes de Hansen [onde subsistem nove pessoas, que de acordo com a administração serão transferidas para o antigo hotel da propriedade, hoje uma unidade residencial, “com muito melhores condições”], e que dará lugar a uma nova unidade de cuidados continuados integrados, juntando-se a outra, já existente e que, desde 2015, dispõe de 60 camas.

A nova unidade “vai ser candidata a fundos comunitários e o ministério da Saúde estará por detrás, quer para a comparticipação nacional quer para o apoio à candidatura”, revelou Manuel Delgado, garantindo “o apoio político e também o financeiro possível” ao Rovisco Pais.

O secretário de Estado destacou ainda o “grande potencial de desenvolvimento para o Serviço Nacional de Saúde” presente no Rovisco Pais, uma vez que este serve seis distritos da região Centro ao nível da medicina de reabilitação, a actividade nuclear da unidade de saúde.

“Fisicamente, é um espaço enorme, com grande potencial de desenvolvimento e criação de várias infraestruturas novas e recuperação de outras, mas também novos programas a nível de investigação e de relação com as universidades”, sustentou.

“O Governo e o Ministério da Saúde têm aqui uma grande responsabilidade política na dinamização deste polo de desenvolvimento na área da reabilitação e daremos todo o apoio a todo o tipo de iniciativas que quem administra o Centro possa vir a desenvolver. A localização geográfica é privilegiada nesta quinta enorme, perto do mar, há todas as condições para dinamizarmos este espaço e este centro”, referiu.