Rodrigues Costa apresentou pesquisa histórica sobre Murtede

Inserida nas comemorações do Dia da Freguesia de Murtede, que tiveram lugar no passado dia 8 de Dezembro, foram apresentados publicamente por António Rodrigues Costa os primeiros resultados da profunda pesquisa histórica que tem levado a efeito sobre a localidade e freguesia de Murtede. Intitulada “Murtede: o concelho que foi, a freguesia que é”, esta apresentação foi apenas o pontapé de saída de um trabalho bastante mais vasto (e ainda longe de estar concluído ou completo), que será consubstanciado em livro no final o ano de 2019.

Os resultados agora revelados e tornados públicos resultam sobretudo da pesquisa documental executada pelo autor e permitem evidenciar a presença romana no território de Murtede há pelo menos 2 mil anos (presença também comprovável por alguns vestígios e artefactos que subsistiram). Durante a idade média, a villae de Murtede cresceu e subsistiu intimamente ligada a outros povoados próximos e hoje desaparecidos, que urge localizar, para melhor perceber as razões do seu desaparecimento, nomeadamente S. Martinho de Seliobriga; Alfuara (Alfora) e Prebes ou Privites (Prévedes).

Os pontos altos da sessão foram a apresentação do foral de Murtede e as revelações sobre o extinto concelho de Murtede, até agora pouco documentado, mas relativamente ao qual muito agora se passou a saber. Entre variadíssimos apontamentos sobre o concelho de Murtede, destacam-se a constituição dos elencos municipais, as coimas aplicadas e muitos outros dados pertinentes.

Quanto à história mais recente, e aproveitando a presença de uma atenta e entusiasta audiência, o autor pediu a colaboração de todos no sentido de o ajudar a localizar património cuja memória se perdeu nos tempos, nomeadamente a igreja velha (que em determinado período coexistiu com a nova), a casa e o curral do concelho ou o celeiro pertencente ao mosteiro de Santa Cruz.

Entretanto os trabalhos não param e prosseguem em várias frentes, continuando o autor a pesquisar documentação e a recolher tradições bairradinas e gandaresas. Por outro lado, alguns elementos da comunidade académica que têm acompanhado o projecto, nomeadamente a Professora Regina Anacleto e o Professor Nélson Correia Borges têm validado a informação recolhida, identificado património de interesse e procedido a algumas traduções do latim e do português arcaico. Enquanto isso, a Junta de Freguesia local tem garantido todos os meios necessários à pesquisa e desenvolverá trabalhos de prospeção geofísica para identificação de eventuais vestígios arqueológicos.