Redução de enfermeiros no Rovisco Pais contestada pelo sindicato

A administração do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro (CMRRC) Rovisco Pais, na Tocha, assegura que as alterações introduzidas nos turnos nocturnos dos enfermeiros não põem em causa a prestação de cuidados aos utentes do estabelecimento.

Essas alterações “não colocam em causa, de forma alguma, a prestação de cuidados de saúde, seguros e em tempo útil, aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ” nesta unidade, afirmou na quarta-feira  (6 de Abril) à agência Lusa o enfermeiro Abel Cavaco, da administração do Rovisco Pais.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) disse, num comunicado enviado, na terça-feira, que os nove “doentes de Hansen (lepra)”, institucionalizados no Rovisco Pais, estão “sem cuidados de enfermagem” durante a noite, desde 15 de Março deste ano.

A situação resulta do facto de a administração do Centro ter acabado com o turno nocturno de enfermeiro para doentes de Hansen que ali se mantêm institucionalizados, passando a dispor, se disso for caso, dos cuidados do enfermeiro de serviço aos doentes da reabilitação, sustenta o Sindicato.

Em reposta, o CMRRC refere que “não tem doentes de lepra”, mas antigos portadores dessa doença, que, “felizmente, está erradicada em Portugal, há mais de 30 anos”, sublinha Abel Cavaco, explicando que se mantêm ali institucionalizadas nove pessoas que padeceram da doença e que, por uma razão ou outra, “não regressaram a casa e ficaram no hospital”.

Estas nove pessoas, cujas idades variam entre os mais de 80 e os mais de 90 anos, “não necessitam de cuidados de saúde” relacionados com a doença de Hansen, mas de cuidados relacionados com outras situações, decorrentes designadamente das suas idades, acrescenta o responsável. Esses utentes dispõem de cuidados de enfermagem, com enfermeiro em permanência, durante dez horas diárias, e de enfermeiro (do serviço de reabilitação, localizado a algumas dezenas metros de distância e “não ‘a cerca de 300 metros’ como diz o SEP”) por chamada, durante o restante período do dia, sublinha.

O CMRRC tem, “há alguns anos, um défice notório de enfermeiros”, entretanto “agravado com a migração” de alguns profissionais dos cuidados hospitalares para os cuidados de saúde primários, reconhece Abel Cavaco, adiantando que o Centro “perdeu, no primeiro trimestre deste ano, 17% dos enfermeiros”.

As alterações agora introduzidas nos turnos dos enfermeiros resultam da “preocupação” de continuar a “assegurar cuidados seguros e em tempo útil a todos os utentes”, salienta o administrador. Abel Cavaco não entende, entretanto, a posição assumida pelo Sindicato dos Enfermeiros, que resolveu fazer um comunicado “cheio de meias verdades” e que, se “estivesse realmente preocupado” com o CMRRC, não o teria emitido “sem ouvir a administração”, concluiu.