Recordar Genesis e Peter Gabriel

Chamam-se “Invisible Rain” mas invisíveis é coisa que não querem de todo ser. Carlos Nunes, Rosa Moreto, Bruno Ferreira, Rui Silva, Rafael Oliveira e Berito Gabriel uniram-se em 2014 com dois propósitos: Fazer boa música e prestar tributo a Genesis e a Peter Gabriel.

“O Rafael contactou-me porque precisava de um baterista para um projecto novo e eu aceitei. A partir daí começámos a angariar outros músicos”, explica ao AuriNegra Berito Gabriel, o homem por trás da bateria dos Invisible Rain. A ideia de prestar tributo a Genesis e a Peter Gabriel surgiu algum tempo mais tarde, “após algumas conversas e ‘confrontos’”.

No entanto, como refere o baterista natural de Vilamar, “acabou por ser uma escolha segura, pois todos gostávamos de Genesis e porque não existe em Portugal nenhum outro tributo a esta banda”. Quanto ao nome da formação musical, a explicação é simples, conta Rui Silva, o teclista de serviço: “É apenas uma expressão com duas palavras que encontramos em nomes de temas dos Genesis e do Peter Gabriel”.

Com menos de um ano de existência, os Invisible Rain têm grandes pretensões e sonhos mas ainda assim mantêm os pés bem assentes na terra, sabendo que o sucesso nunca pode ser “imediato”. Pouco a pouco, querem ir mostrando o seu trabalho e angariando fãs não só no concelho mas também por todo o país.

“O nosso objectivo é apresentar os temas mais marcantes dos Genesis e de Peter Gabriel, dois nomes que, apesar de mais tarde se terem separado, continuam eternamente ligados e conhecidos mundialmente”, explica Rui Silva, acrescentando que o trabalho não é simples, pois “envolve texturas musicais algo complexas e densas, o que acaba por ser um verdadeiro desafio”.

“Nós temos noção de que este não é um projecto comercial, ou seja, para o grande público, mas com o tempo tentaremos chegar a cada vez mais ouvidos. Talvez as pessoas descubram que afinal até gostam deste tipo de sonoridade”, sublinha o teclista.

À medida que o projecto vai ganhando asas, o trabalho também aumenta. “Esforçamo-nos muito por optimizar, cada vez mais, a nossa música. Só assim podemos ir mais longe e, quem sabe, sair do âmbito regional. Este projecto, pela sua universalidade, tem lugar em qualquer contexto”, afiança Rui Silva, que trabalha na indústria musical há cerca de 30 anos.

Já este Inverno, o objectivo dos Invisible Rain é iniciar uma digressão por auditórios de todo o país. “Queremos mostrar o nosso trabalho, e os auditórios, mesmo os mais pequenos, são os sítios ideais. Não somos uma banda de bar, até porque a estrutura da própria banda não permite isso”.

Até ao momento, os Invisible Rain já deram alguns concertos – um deles aconteceu no Centro Cultural da Praia de Mira – e a aceitação foi boa. “Reparámos que há muitos pais a levar os filhos. O que é bom, porque assim a nossa música chega a várias gerações”, sublinha Berito Gabriel. Rafael Oliveira, o guitarrista, concorda: “O público que nos vê parece gostar. Acho que temos pernas para andar”.

O próximo espectáculo dos Invisible Rain é já no dia 2 de Agosto (domingo), pelas 21h00, no palco 4 – palco Sagres da Expofacic. Um concerto que terá um sabor especial. “É uma grande oportunidade para mostrar o nosso trabalho pois passam por lá milhares de pessoas de todo o país”, conclui Rui Silva. Assim, quem quiser conhecer o trabalho dos Invisible Rain pode esperar, para além de um reportório composto por temas de Genesis e Peter Gabriel, dos mais clássicos aos contemporâneos, um verdadeiro espectáculo com tudo a que se tem direito.

Tributo merecido

Fundada em 1967, os Genesis foram uma banda britânica de rock progressivo que alcançou sucesso principalmente durantes as décadas de 70, 80 e 90.

Com aproximadamente 150 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, a formação musical é considerada uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos.

A sua carreira teve duas fases musicais diferentes. Uma inicial, marcada pelas estruturas musicais complexas, instrumentação elaborada e apresentações teatrais, e outra que começou a partir da década de 1980, em que a sua música tomou um caminho distinto, mais em direcção ao pop, tornando- a mais acessível para a cena musical.

Com os Invisible Rain, Carlos Nunes, Rosa Moreto, Bruno Ferreira, Rui Silva, Rafael Oliveira e Berito Gabriel pretendem não só visitar a fase mais contemporânea dos Genesis, mas também recordar e homenagear a sua primeira fase, em que Peter Gabriel figurava na banda.

Ao mesmo tempo, prestam tributo à carreira a solo deste cantor, conhecido pela sua forte presença em palco. “Peter Gabriel sempre foi um visionário, sempre foi fora do normal, não só na forma como desenvolve espectáculos ao vivo mas também pelas letras muito interventivas”, refere Rui Silva, um assumido fã do cantor britânico.

(Artigo publicado originalmente em 24/07/2015)