Recordando Idalécio Cação

Apesar de Inverno, a manhã estava amena e com sol, quando no dia de Natal fui visitar Idalécio Cação à sua última morada em Ribas, não sem antes passar pela Lafrana, a terra que o viu nascer, e por tantos outros lugares onde a calma e o silêncio dos pinheiros, das gentes e das areias fazem parte dos seus e nossos sítios conhecidos.

Dias antes de partir, faz agora dois anos, foi ele próprio que escolheu, ali nos Moinhos da Gândara, aqueles dois palmos de terra para repousar. Comigo levava as suas Crónicas, levantadas circunstancialmente da minha mesa de cabeceira e que me viriam a servir de intróito à longa conversa que travámos.

Ninguém nos interrompeu: íamos à frente, desfolhávamos para atrás, fazíamos confidências, contávamos novidades! E assim estivemos longo tempo: eu lendo, sentado na pedra fria, bem a seu lado, e ele ouvindo – tenho a certeza -, aquilo que eu lhe fazia recordar, quando ao escrever tão deliciosamente sobre a Gândara a deixou imortalizada.

Autor: António Castelo Branco