“Queremos que as pessoas sintam orgulho das Festas de São Tomé”

A partir de hoje (quinta-feira), 21 de Julho, e até dia 25, Mira está em festa com mais uma edição das Festas de S. Tomé. Nomes como Badoxa, D.A.M.A e Expensive Soul vão animar o Jardim do Visconde, no centro da vila. Mas o programa não fica por aqui. O AuriNegra foi conversar com o Presidente da Câmara Municipal de Mira, Raul Almeida, para saber mais sobre este certame que une inovação e tradição

AuriNegra (AN) – Quais as expectativas para esta edição das Festas de São Tomé?

Raul Almeida (RA) – As expectativas são sempre as que temos todos os anos. São as nossas festas do concelho, do município, e temos sempre a expectativa de fazer uma festa bonita para a nossa população e habitantes mas também para aqueles que nos visitam. Esperamos que este ano, como tem vindo a acontecer nos últimos anos, venha a subir o número de visitantes. Queremos que as pessoas se sintam bem em Mira e que este seja um momento de festa, um momento de viver a nossa terra e que isso também acabe por mexer com a nossa economia local e com tudo o que gira aqui à volta.

AN – Este ano as festas têm um tema especial…

RA – É verdade. A expectativa é, de facto, também grande pelo facto de comemorarmos este ano os 30 anos de Bandeira Azul da Praia de Mira, que vai ser o tema desta edição das Festas de S. Tomé. A temática vai ser assinalada principalmente na decoração do próprio espaço, que vai ser alusiva aos 30 anos do galardão, e numa série de actividades que vão decorrer relacionadas com o tema, como são exemplo uma exposição no Museu da Gândara, intitulada “Construir a paisagem – O Povoamento Florestal da Costa entre Mira e Quiaios” e a reconstituição da chegada da rede de pesca do mar e a venda do peixe no areal.

AN – Pela primeira vez, a Câmara Municipal é a única responsável pela organização do evento. A que se deve esta decisão?

RA – Este ano nós optamos por um outro modelo, que passa por ser a Câmara Municipal a organizar o evento isoladamente. Assim, a Câmara tem a gestão directa de todo o evento, o que nos parece mais correcto a nível de contratação e também a nível jurídico. Quem vier à festa não vai notar a diferença, pois só muda mesmo o modelo de gestão.

AN – Para a edição de 2016 a festa conta com um orçamento de cerca de 100 mil euros. Onde vai ser aplicado esse montante?

RA – A Festa de São Tomé é uma festa religiosa para além de profana. Como tal, das fanfarras, às bandas filarmónicas, passando pela procissão … É o município que suporta estas despesas. Assim como suporta o custo dos artistas, das arcadas, entre outras coisas. Esta é uma festa popular de dimensão maior – porque tem também a parte comercial – e o município está responsável pelos vários aspectos e parcelas que a tornam realidade.

AN – Quantos stands comerciais se podem encontrar no certame?

RA – Este ano temos cerca de 50 stands, sendo que a maioria são daqui do concelho. Essa parte comercial também é muito importante. Obviamente que as Festas de S. Tomé têm este ano outra vertente, que poderá ser positiva, e que é o facto de não decorrer ao mesmo tempo que a Expofacic, que era sempre um concorrente de peso. Este ano há essa expectativa de ver como corre, porque há muitos anos que as datas se cruzam.

AN – E de que modo é que as associações do concelho vão estar presentes?

RA – As associações são responsáveis por várias das actividades que vão decorrer durante os cinco dias da festa e pela parte das tasquinhas. Para além da Confraria dos Nabos e Companhia, vamos ter seis tasquinhas exploradas por associações locais que garantem que haverá comida muito boa, tradicional e gandaresa. As pessoas podem vir e jantar, que com certeza que jantam bem.

AN – O cartaz musical é sempre outro dos pontos fortes das Festas de São Tomé. O que foi tido em conta para a escolha dos artistas deste ano?

RA – O orçamento, primeiro que tudo. Depois, tentamos fazer sempre o cartaz de modo a atingir determinado tipo de público-alvo. Temos o D.A.M.A que é uma banda que está na moda e que atinge vários tipos de público mas principalmente os mais jovens. Os Expensive Soul que é um tipo de música também mais apreciado por uma geração jovem, e o Badoxa, que é o que está a dar em termos de Kizomba, com muitas músicas nas novelas que as pessoas acompanham. Dentro do orçamento e do aconselhamento técnico tentamos seguir as tendências.

AN – Como tem vindo a acontecer ao longo das últimas edições das Festas de São Tomé, no primeiro dia a aposta voltar a ser na prata da casa?

RA – Sim, fazemos questão de fazer sempre desse modo porque na região existem muitas bandas de garagem e muita gente com jeito para tocar e cantar. Fazemos essa noite para “os da casa”, para as pessoas daqui terem a oportunidade de actuar num grande palco como é o palco do S. Tomé, o que para eles acaba por ser uma experiência nova e motivante.

AN – No total vão ser cinco dias e noites de festa e dezenas de actividades e iniciativas. Ainda assim, quais os pontos do programa que destaca?

RA – Destaco a actuação dos tais grupos “prata da casa” para as pessoas daqui de Mira, porque lhe serão certamente familiares, e os três artistas cabeças-de-cartaz. O fogo-de-artifício também é um dos pontos altos da festa. Depois, não posso deixar de mencionar a procissão, no dia do Feriado Municipal (25 de Julho), e a chegada dos romeiros a Mira, em que vêm romeiros de todo o concelho com as carroças das vacas, reproduzindo tempos antigos, e que montam, no centro da vila, uma feira medieval bastante interessante, em que se mostra essa parte mais tradicional das Festas de S. Tomé a que se junta a inovação.

AN – Futuramente, o Município tem como objectivo investir mais no crescimento destas festas?

RA – Vamos fazendo e tentando ganhar o nosso espaço. Eu tenho dito sempre, desde que viemos para a Câmara Municipal, que o objectivo é que as próprias pessoas sintam orgulho das Festas de São Tomé, e acho que temos vindo a conseguir isso. Durante alguns anos esse orgulho andava ‘apagado’ e nós queremos que as pessoas sintam que esta é a nossa festa, é uma festa diferente, é uma festa tradicional e que temos uma boa festa. E acho que com algumas alterações temos vindo a conquistar esse orgulho. Depois de termos esse orgulho, daquilo que é nosso, poderemos pensar em outros voos.

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