Projecto nacional de tele-saúde permite poupar 6,5 milhões ao Estado

A Associação Nacional de Cuidado e Saúde (ANCS) está a lançar, com mais de duas dezenas de Câmaras Municipais, um ambicioso projecto de tele-saúde que tem como objectivo apoiar 10 mil idosos mais carenciados e isolados.

O projecto, considerado o maior do género a nível mundial, tem a designação de “10 Mil Vidas” e vai permitir poupar 6,5 Milhões de euros aos cofres do Estado.

De acordo com o levantamento feito pela ANCS, se Portugal tivesse uma abrangência de serviços de tele-assistência equivalente a Espanha (10,5% dos idosos), teria 215 mil idosos com esse tipo de apoio, o que se traduziria numa poupança anual de cerca de 90 Milhões de euros.

A ANCS acredita que o projecto vai apoiar a autonomia dos idosos, “tornando-os mais saudáveis e mais felizes, na medida em que se podem sentir seguros em casa ou na rua, dispondo para tal de um telefone móvel especial que os põe em contacto com os cuidadores em qualquer situação de emergência”.

Para além do apoio nas situações de emergência, é feita – à distância – a gestão da sua medicação, incluindo lembretes para as tomas, e, para quem precisa, são monitorizados dados como a tensão arterial ou o nível de açúcar no sangue, permitindo assim prevenir situações de crise.

“O Ministério da Saúde pode também desempenhar um papel central do projecto, na medida em que poderá mobilizar os profissionais das suas Unidades de Cuidados na Comunidade para verificarem se a medicação que os idosos estão a tomar é a mais indicada e nas doses correctas”, declara Fernanda Carneiro, presidente da ANCS. Segundo aquela responsável, essa tarefa poderá salvar pelo menos 1% dos idosos de terem uma complicação devido a medicação incorreta. As Unidades de Cuidado na Comunidade (UCC) podem também ter acesso à distância aos dados de tensão arterial e glucose dos utentes do serviço. “Já discutimos com o Ministério os termos da nossa colaboração e apenas aguardamos a assinatura do Protocolo de Colaboração”.

A ANCS também tem a intenção de apresentar ao Ministro da Segurança Social o impacto que o projecto irá ter naquele domínio. “Este tipo de serviços evitam que muitas pessoas sejam institucionalizadas e mesmo aqueles que acabam por ter que ir para um lar como último recurso, fazem-no muito mais tarde. Segundo estudos internacionais, o adiamento é no mínimo de 5 meses e pode chegar aos 12 meses. Para além de ser muito bom para os idosos manterem a sua autonomia o mais tempo possível, permite também uma poupança significativa que poderá ser aplicada em proporcionar cuidados a muitas mais pessoas”, defende Fernanda Carneiro.

O projeto “10 Mil Vidas” já arrancou nos Concelhos da Lousã e Almada. Nas próximas semanas vai também arrancar no Fundão, Porto de Mós e Chamusca. O projecto da ANCS conta já com o interesse e a adesão de dezenas de Municípios de todo o País. “Contamos poder contar com fundos comunitários para poder financiar 50% dos projectos liderados pelos Municípios. Caso se confirmem as nossas expectativas, acreditamos que o Estado vai assumir o modelo como seu, conseguindo assim apoiar muitos mais idosos que actualmente, com muito mais qualidade e por menos dinheiro”, conclui a Presidente da ANCS.