Prémio Fluviário Jovem Cientista do Ano 2016 para Bruno Carreira

Bruno Carreira, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é o vencedor da edição de 2016 do Prémio Fluviário de Mora – Jovem Cientista do Ano. A entrega do Prémio terá lugar na Cerimónia Comemorativa do 10º aniversário do Fluviário de Mora, em Évora, no próximo dia 24 de março, pelas 18h00.

O Prémio, instituído em 2010 pelo Fluviário de Mora, distingue anualmente um aluno de licenciatura, mestrado ou doutoramento que tenha publicado, como primeiro autor e no ano do concurso, um artigo sobre conservação e biodiversidade de recursos aquáticos continentais (estuários e rios).

Bruno Carreira é distinguido pelo artigo científico “Warm vegetarians? Heat waves and diet shifts in tadpoles”, publicado na revista científica Ecology no âmbito do seu doutoramento na Universidade de Lisboa. Bruno Carreira concluiu o doutoramento em finais de 2016 e é agora investigador de pós-doutoramento no cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais.

Neste artigo os investigadores demonstram que as ondas de calor tornam os girinos mais vegetarianos. “Embora os efeitos da temperatura nos animais sejam estudados há décadas, a descoberta da influência da temperatura na dieta dos animais ectotérmicos – de sangue frio – é muito recente”, explica Bruno Carreira. “Entre 2015 e 2016 várias equipas de investigadores sediados na China, Alemanha e República Checa descobriram independentemente que os animais ectotérmicos aumentam a herbivoria a temperaturas mais elevadas. O nosso trabalho, em colaboração com a Suécia, mostra pela primeira vez que este padrão ocorre também em animais vertebrados e, em conjunto com os restantes artigos da minha tese de doutoramento, mostra que este é possivelmente um padrão ecológico generalizável a todas as espécies ectotérmicas que existem no planeta”.

Feliz com esta distinção, Bruno Carreira refere que “é o reconhecimento da qualidade da investigação que fiz durante o doutoramento e da projeção surpreendente desta publicação” – as conclusões deste estudo foram alvo de notícia um pouco por todo o mundo. “É muito gratificante ver o meu trabalho divulgado e premiado a estes níveis e, de certa forma, faz-me esquecer a sua má aceitação inicial, muito ligada ao facto de ser apenas um estudante de doutoramento e por estar a abordar um tema controverso com conclusões inesperadas”, conclui o investigador.

Bruno Carreira encontra-se agora a terminar e publicar os restantes artigos que produziu durante o doutoramento.

 cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais

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