Praia de Mira: golfinhos morrem presos nas redes de arte xávega

Dezassete golfinhos, de um grupo de cerca de 150, foram apanhados pelas redes dos pescadores de Arte Xávega e morreram, esta sexta-feira à tarde, dia 22 de Julho, na Praia de Mira.

13770320_1045411272209348_8332836021330266138_nOs golfinhos foram capturados acidentalmente porduas embarcações desta arte de pesca tradicional e o número de vítimas mortais só não foi maior porque os pescadores e várias das pessoas que se encontravam na praia cortaram as redes e soltaram os animais logo que se aperceberam do que estava a acontecer, segundo relato de alguns dos veraneantes presentes no local.

Esta não é a primeira vez que golfinhos são capturados acidentalmente durante as idas ao mar dos barcos de arte xávega. Ainda, assim este tipo de incidentes diminuiu bastante no últimos anos devido à utilização de sensores que disparam um sinal sonoro de baixa intensidade que afasta os golfinhos.

De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Mira, Raul Almeida, “já houve confirmação de que os sensores estavam a funcionar, mas os golfinhos deram sinais de desorientação, tendo-se enredado nas redes”. O autarca lamentou ainda a morte dos animais assim como a perda das receitas dos pescadores de arte xávega, que deitaram ao mar as capturas do dia e ficaram com as redes inutilizadas.

Os cadáveres dos 17 golfinhos foram recolhidos na Lota da Praia de Mira, pelas 18h00, por técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade.

One thought on “Praia de Mira: golfinhos morrem presos nas redes de arte xávega

  • 26 Julho, 2016 at 8:28
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    Estimada Carolina Leitão:

    Estimado JN Online

    Em nome do Projeto MarPro, da universidade de Aveiro e da SPVS, vimos por este meio pedir a correcção da noticia por vocês divulgada em 22/7/2016 (Praia de Mira: golfinhos morrem presos nas redes de arte xávega).

    De facto sobre o evento de captura acidental na embarcação de Arte-Xávega Alexandre Vieira, queremos salientar o cuidado demonstrado pelos pescadores envolvidos em libertar os animais da rede o que indica a preocupação dos pescadores para com estes animais marinhos. Esta mesma preocupação tem-se revelado também na disponibilidade demonstrada para cooperarem com o projecto LIFE MarPro, nomeadamente ao aceitarem voluntariamente colocar nas redes os dispositivos que emitem sinais sonoros (emitidos por dispositivos denominados por “pingers”) que permitem avisar os golfinhos da presença da rede.
    No entanto, o Projeto LIFE MarPro quer salientar que cada companha de Arte-Xávega utiliza várias redes e que a rede em que ocorreu a captura múltipla na passada sexta-feira, da qual se contabiliza já a morte de 24 Golfinhos-comuns, não se encontrava provida de Pingers. De facto, no âmbito do Projeto LIFE MarPro não é possível munir todas as redes com Pingers devido à elevada quantidade de artes utilizadas em Portugal. Além disso, no caso do evento de sexta-feira, a rede utilizada era nova e o mestre não tinha ainda colocado os Pingers que lhe foram disponibilizados.

    Os ensaios efetuados até à data, em Arte-Xávega, mostram que os pingers são eficazes em reduzir a mortalidade de cetáceos, não havendo contudo soluções 100% infalíveis.

    Para tornar a atividade pesqueira mais compatível com a conservação dos cetáceos, torna-se cada vez mais evidente a necessidade da utilização destes dispositivos num maior número de redes em Portugal.

    Atenciosamente

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