Plano B (de Barbearia)

Quem passa junto da igreja matriz de Febres certamente já reparou que por ali há novo negócio. A decoração, com cheirinho a Inglaterra, chama a atenção de todos, mas na barbearia Vasco Barber só entram homens.

Aberta em finais de Julho, esta barbearia, que prima pela diferença, pertence ao jovem Vasco Tarelho, natural de Vilamar, que decidiu arriscar e criar o seu primeiro negócio na vila de Febres. No entanto, e antes de ser barbeiro, Vasco passou pela Marinha Portuguesa e ainda por Inglaterra, onde trabalhou na área da restauração.

Com efeito, uma ida a Inglaterra foi o que bastou para, juntamente com a namorada (agora esposa), decidir arriscar numa mudança radical da sua vida e partir em busca de um futuro em Terras de Sua Majestade.

“Fomos sem emprego, apenas com um casal amigo que nos ajudou nos primeiros tempos”. O trabalho, no entanto, surgiu rapidamente, e a língua, que inicialmente era um entrave, deixou de ser problema. Vasco arranjou trabalho na cadeia Nandos, conhecida internacionalmente pelo frango de churrasco à portuguesa. Da cozinha passou, alguns meses depois, para supervisor, mas nem por isso era uma vida mais fácil: “Durante mais de um ano e meio não tive um único fim-de-semana ou feriado. Era uma vida de muito trabalho”; explica-nos. Em simultâneo, a namorada trabalhava num hospital como cardiopneumologista.

Há cerca de um ano e meio, Vasco decidiu abrir novos horizontes e tirar um curso numa das melhores escolas de barbeiros do centro de Londres. “Na Marinha já gostava de arriscar com a máquina nos meus colegas e então pensei que era um bom Plano B, se algum dia não tivesse trabalho na restauração”.

Facilmente o jovem barbeiro entendeu que cortar barbas e cabelos era aquilo que queria realmente fazer. Terminou o curso, deixou o restaurante e começou a trabalhar numa barbearia em Londres, já com uma ideia de negócio a germinar na sua cabeça.

Três anos e meio depois de chegar a Inglaterra – e já depois de vir casar a Portugal – o casal regressou a casa. “As saudades já eram muitas e para começar família queríamos que fosse aqui”, partilha Vasco. Assim, com o negócio já delineado há um ano, foi chegar e abrir portas.

“Quando comecei a desenvolver o projecto não havia nenhum barbeiro em Febres. Como é uma freguesia com muitos lugares e muita população, achei que era o espaço ideal. Até agora o negócio tem corrido bem, mas ainda é cedo para fazer balanços. Tenho clientes de Febres e dos lugares aqui à volta, mas também de outras freguesias”.

Para divulgar o seu negócio, Vasco Tarelho confia no “boca em boca” e também nas redes sociais, onde vai partilhando imagens da sua loja, mas também dos produtos e serviços que oferece: corte de cabelo e estilismo e barba à navalha.

 

Aqui, o cuidado com o cliente é grande. “Uso sempre a técnica da toalha quente antes de fazer a barba a qualquer cliente que seja, pois limpa a pele e permite abrir os poros, o que evita a irritação da pele. No final faço também uma breve massagem facial”. Para ser cliente da Vasco Barber não há limite mínimo nem máximo de idade, e a prova é que Vasco tem clientes de todas as idades: “Tenho jovens, mas também pessoas mais velhas, que procuram essencialmente o serviço da barba à navalha, porque é como se fazia antigamente”. Depois vêm os produtos, “que trago de Inglaterra e que são de grande qualidade e ainda assim a bom preço”.

Com a cozinha totalmente para trás – agora só cozinha em casa – Vasco Tarelho refere que barbeiro é aquilo que gosta de ser. “Principalmente pela parte de conversar com as pessoas. Cada serviço acaba por ser um momento de conversa e desabafo”, normalmente acompanhado por uma bebida, que faz questão de oferecer aos clientes, à boa maneira inglesa. Para o futuro, o jovem não pretende ficar por aqui: “O que queria era conseguir ter uma carteira de clientes boa e abrir uma nova loja noutro local. Expandir o negócio e continuar a ser barbeiro”, conclui.