Pela música

André Esteves Pessoa nasceu no Barreiro, mas foi em Cantanhede que cresceu e que começou a investir na sua carreira de DJ. A criação de um novo projecto tem-no levado a fazer a animação de casamentos de Norte a Sul do País. Com o pai natural de Vila Nova de Outil (Cantanhede) e a mãe natural de Almada, André Pessoa refere que bem cedo a música entrou na sua vida, principalmente através do irmão, que o punha “a ouvir Nirvana, Mickael Jackson, Guns n’ roses, Fat Boy Slim e muito, muito Hip Hop internacional”.

Quando a família emigrou para a Suíça, André “vira-se” ainda mais para o hip hop. Nas férias voltavam sempre à margem sul, um dos principais núcleos deste género musical, que fomentou mais essa preferência e influência.

Quando a família se muda para Vila Nova, já o jovem se destacava. “Era conhecido pelo hip hop. Usava pala e vestia-me de uma forma diferente”, recorda, divertido. A adaptação não foi problemática, “porque sempre fui comunicativo e porque aqui encontrei uma liberdade muito maior. Adorava andar aí de bicicleta pela Gândara”. Já nessa altura, André ficava encantado com os sons e ritmos e, talvez por isso, rapidamente se tornou o animador dos intervalos das aulas, por várias vezes acompanhado pelo seu jambé (tambor africano).

 “O ritmo em mim é algo quase inato. Os meus pais dizem que desde miúdo só me agarrava aos brinquedos musicais, aqueles barulhentos, tambores e coisas assim”, lembra. Com o gosto veio também a curiosidade pela formação. “Comecei na Escola António Lima de Fragoso, onde aprendi guitarra clássica durante 5 anos, e continuei na Escola Pedro Teixeira, na percussão (jambé, congos, bongós)”.

Depois de terminar o Curso de Técnico de Acção Social na Escola Secundária de Cantanhede, André Pessoa decide parar os estudos, ingressar no mundo do trabalho e, em simultâneo, naquela que era a sua paixão: a música.

Pelo meio, o jovem já havia começado a trabalhar como DJ numa das melhores “casas” da região: o bar Allegro, em Febres.

“O meu irmão trabalhava no Allegro e aos domingos era comum eu ir para lá ajudar, com a autorização dos donos”. Pouco a pouco começou a ajudar no controlo da música, mas a grande oportunidade surgiu quando o DJ residente teve que sair e André Pessoa ficou a ocupar esse lugar, tão ambicionado.

O DJ diz que em Febres viveu momentos muito fortes e, acima de tudo, de muita aprendizagem.

“Aprendi muito e foi uma experiência muito importante no meu currículo. Foi do Allegro que veio a minha influência latina, admito”.

Na altura, em plena década de 90, André lembra que “as noites eram muito fortes e movimentadas. Por isso, era fantástico para mim, apenas um miúdo, fazer ali o meu número. Adorava o que fazia e o feedback das pessoas era óptimo”, recorda. Revela que o fecho da discoteca, cerca de dois anos depois, foi um choque, mas que lhe deu mais força para continuar a investir na sua carreira musical.

Com a ajuda dos pais, adquiriu material próprio e, com a experiência e os conhecimentos adquiridos no Allegro, lançou-se como freelancer, com o nome Acept DJ.

“Nessa fase abracei um estilo mais alternativo, na onda da dance music, e fui começando assim a actuar em festas da aldeia, festivais como o Rock Off, aniversários e vários bares da região e não só”. Anos mais tarde nasce o The Other Face, um projecto que representou uma mudança, não só do artista mas também do estilo de música, que passa a ser exclusivamente electrónica.

“Foi uma fase em que tive um pico na carreira, com muitas actuações e convites. Passei pelas melhores casas do País, actuei na Suíça e por quase todo o Sul de Espanha e até cheguei a ter convites para ir a Ibiza”.

Entretanto, surgiu um convite do grupo Visabeira para André animar a festa de uma empresa, num dos hotéis Montebelo. “Foi a oportunidade em que pude mostrar o meu trabalho. Como gostaram, voltaram a chamar-me e tenho feito lá muitos eventos”.

Com o número de solicitações a aumentar, o DJ acabou por adaptar o estilo de música que passa. “Comecei a passar mais música comercial e pop hit’s, porque apercebi-me que grande parte das pessoas é isso que quer”. Aos poucos, a vida de DJ em bares e discotecas foi sendo deixada de lado e agora é através do seu nome próprio que desenvolve a sua carreira, animando eventos um pouco por todo o País.

Um dos mais recentes enche o jovem de Vila Nova de orgulho – pois teve até direito a aparecer na revista Caras. “Num dos meus eventos tive a sorte de estar presente uma “wedding planner” – Casar com Graça – que gostou do meu trabalho e que começou a contratar-me para animar um casamento, e depois outro… e depois mais um”. Foi com surpresa que se apercebeu que um desses casamentos era o da actriz Bárbara Norton de Matos.

“Foi para mim um grande motivo de orgulho, principalmente por sentir que estive ao nível do trabalho que me pediram. Ao mesmo tempo é um reconhecimento do meu trabalho”, frisa André Pessoa, afirmando que embora tenha deixado de fazer trabalhos como DJ, a vida de animador de casamentos não é, ainda assim, menos dura:

“Por vezes são quase 24 horas acordado. Já comecei o dia às 6h00 e cheguei a casa às 11h00 do dia seguinte. Não é fácil, até porque, principalmente no Verão, são tantos eventos que se perde algum tempo de conforto junto da família”.

Para além disso, é necessário um grande investimento económico em material e um ainda maior investimento pessoal – que, para André Pessoa, só compensa pelo gosto que tem pela música e pela relação com os outros. “Há uma forte vertente comunicativa, porque acabo por reunir com os noivos, conhecer os seus gostos, adaptar o estilo de música ao tipo de casamento e por aí adiante. No final é muito bom saber que contribuímos para o dia mais feliz da vida daquelas pessoas”.

No futuro, é nesta vertente que o jovem pretende continuar. “As pessoas cada vez mais investem neste tipo de serviço personalizado e, por isso, o que quero é continuar a trabalhar e melhorar o que tenho a melhorar”, frisa André Esteves Pessoa, adiantando que a agenda para 2018 e “e nalguns casos até para 2019”, já começa a estar preenchida.