Parlamento Europeu opõe-se a alegações de saúde nas bebidas energéticas

As bebidas energéticas não devem ostentar alegações de que a cafeína “contribui para aumentar o estado de vigilância” e para “melhorar a concentração”, disse esta quinta-feira, 7 de Julho, o Parlamento Europeu ao vetar um projecto da Comissão que iria permitir estas alegações. Os eurodeputados consideram que essa rotulagem poderia incentivar os jovens a consumir estas bebidas ricas em açúcar e que estão associadas a problemas de sono e de comportamento nas crianças e adolescentes.

O Parlamento Europeu vetou o projecto da Comissão por larga maioria. Na resolução, os eurodeputados notam que o próprio executivo comunitário reconhece que as alegações relativas a estes efeitos da cafeína não podem ser utilizadas em “alimentos destinados às crianças e adolescentes”.

Os adolescentes são, precisamente, o maior grupo de consumidores de bebidas energéticas: 68 % dos adolescentes e 18 % das crianças consomem regularmente estas bebidas. Uma lata de 250 ml pode conter até 27 g de açúcar e 80 mg de cafeína.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os adultos e as crianças não obtenham mais do que 10 % da dose diária de energia a partir de açúcares livres e que uma redução para menos de 5 % (cerca de 25 g) por dia teria benefícios adicionais para a saúde.

“A utilização das alegações de saúde propostas é susceptível de favorecer o consumo de bebidas energéticas, podendo, consequentemente, ser legítimo supor que o consumo diário de açúcar e cafeína exceda a dose diária máxima recomendada”, diz a resolução, acrescentando que “um elevado consumo de açúcar sob a forma de bebidas açucaradas pode contribuir para o aumento de peso”.

O Parlamento Europeu nota também que as bebidas energéticas têm sido associadas a dores de cabeça, problemas de sono e problemas de comportamento nas crianças e adolescentes que as consomem regularmente.

“Sabemos pelas estatísticas que muitos jovens, e mesmo crianças, estão a consumir estas bebidas energéticas. Não se trata apenas da cafeína, estas bebidas contém também muito açúcar. Achamos que este tipo de bebidas não deve ostentar qualquer tipo de alegações de saúde”, disse a relatora do Parlamento Europeu, Christel Schaldemose (S&D, DK).

“Não estamos a dizer que os adultos não devem beber café ou bebidas energéticas. Apenas não queremos ajudar as empresas a ganhar dinheiro com alegações de saúde que pensamos não serem adequadas para as crianças”, explicou a eurodeputada.

O Parlamento Europeu solicita aos Estados-Membros que estudem a possibilidade de introduzir regras sobre a comercialização de bebidas com elevado teor de cafeína ou alimentos com adição de cafeína às crianças e adolescentes.