Os Verdes lamentam opção do Governo em implementar o MetroBus no Ramal da Lousã

O Ramal da Lousã, para além do transporte de mercadorias (até 1992), prestou durante mais de um século, um serviço inegável, sobretudo às populações para se deslocarem para o trabalho e acederem a um conjunto de serviços públicos fundamentais, como a saúde e a educação, para além de garantir a ligação à cidade de Coimbra e ao resto do país, através da Rede Ferroviária Nacional. Esta linha registava, aquando do seu encerramento, mais de um milhão de utentes por ano.

O governo ao aprovar ontem (31 de Janeiro), em Conselho de Ministros, a implementação do MetroBus, no âmbito do Sistema de Mobilidade do Mondego, no qual serão gastos 85 milhões de euros com recurso a fundos europeus, enterrou definitivamente o Ramal da Lousã. O anúncio vem no sentido inverso à Resolução da Assembleia da República n.º 59/2017, que recomendava ao Governo a reposição urgente da mobilidade ferroviária no Ramal da Lousã.

Os Verdes lamentam esta opção, que não passa de um sistema rodoviário em autocarro, não sendo a solução mais barata, nem a que melhor contribuirá para a mobilidade das populações dos municípios da Lousã, Miranda do Corvo e de Coimbra, ao contrário da ferrovia.

O Ramal da Lousã foi desmantelado para supostamente dar lugar à criação do Metro do Mondego, o qual, depois de serem gastos mais de 100 milhões de euros nas obras realizadas, e cerca de 10 milhões na contratação de serviços rodoviários alternativos, nunca avançou – um claro embuste para os utentes conforme Os Verdes previam e se opuseram.

A reposição, modernização e electrificação do Ramal da Lousã, pela qual a população e Os Verdes lutaram, “é a única solução para assegurar as necessidades de mobilidade das populações da Lousã e Miranda do Corvo, cerca de 50 mil habitantes, garantindo a sua ligação a Coimbra, com conforto e segurança, numa zona que, relembramos, tem características serranas, como ainda ao resto do país, assim como asseguraria o transporte de bens e mercadorias para fora da região, contribuindo assim para escoar a produção desta região, fixar e atrair pessoas e empresas”.

O MetroBus para além de ser uma machadada no ramal, que deixa de fora a Lousã e Miranda do Corvo da Rede Ferroviária Nacional, é igualmente “um modelo de mobilidade propício à sua privatização, com todas as consequências inerentes e um claro pronúncio do encerramento da Estação Nova, e a retirada dos carris entre esta estação e Coimbra B, num claro atropelo à mobilidade e ao despovoamento da baixa de Coimbra”.