Ordem dos Médicos Veterinários preocupada com o abandono de animais

O bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários acusou esta sexta-feira, dia 19 de Agosto, os políticos de terem pouca vontade de resolver o problema do abandono dos animais e de não estarem criadas facilidades, ao nível autárquico e nacional, para as pessoas os terem.

“Portugal é um país com bastantes dificuldades para quem tem animais de companhia: não podem entrar em transportes e espaços públicos, como restaurantes, ou hotéis”, afirmou Jorge Cid.

A propósito do Dia Internacional do Animal Abandonado, que se assinala amanhã (sábado), o veterinário alertou ainda para “a falta de sensibilidade, por parte das autarquias, na urbanização”, referindo que “cada vez se fazem mais urbanizações e com cada vez menos espaços verdes para as pessoas e também para os animais”.

O bastonário considera que “não há vontade política no país para resolver o problema”, afirmando que “não são criadas facilidades para a pessoa ter um animal de companhia”.

Outro aspecto que dificulta a vida aos detentores de animais de companhia é, segundo Jorge Cid, o IVA [23 por cento] que é aplicado na alimentação e cuidados médicos aos animais.

“Tudo é contra o animal de companhia”, afirmou, concluindo que “não são criadas facilidades ao nível autárquico e nacional para facilitar a detenção de animais de companhia”.

Já sobre a criminalização dos maus tratos dos animais, o bastonário defendeu “bom senso” na sua aplicação. “Uma pessoa que está no interior do país e que tem um animal preso, se calhar não sabe que isso é mau trato. É preciso elucidar as pessoas”, disse.

Jorge Cid sublinhou que Portugal “ainda é um país de grandes diferenças culturais. Tudo requer muito tempo e muita pedagogia”.

Outra das questões que preocupa a Ordem dos Médicos Veterinários é o abandono dos animais. “Sentimos mais na pele e somos parte integrante da resolução dessa problemática”, disse, considerando que ainda “continua a haver muitos animais abandonados”.

Segundo a Ordem, que cita dados da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), em 2015 os canis municipais nacionais recolheram 30.192 animais (23.706 cães e 6 486 gatos). Destes, 12.073 acabaram por ser abatidos, 2.128 voltaram aos donos e 12.567 foram adoptados.