O dom da voz

Ana Rita Ferreira de Oliveira tem 26 anos mas ainda muitos sonhos por realizar. Um desses sonhos é vingar na música, uma paixão que a acompanha desde criança e que nos últimos anos tem ganho cada vez mais força.

Natural de Coimbra, mas tendo vivido na Figueira da Foz e no concelho de Cantanhede durante vários anos, a jovem encontra-se a concluir o mestrado em Medicina Dentária. Mas entre aulas e exames, tem vindo a dedicar-se também à música.

O gosto por esta arte, explicou ao AuriNegra, vem de infância. “Acho que é aí que espontaneamente vamos dando sinais daquilo que gostamos de fazer, através das nossas brincadeiras, e foi aí que a música surgiu. Entre brincar de veterinária, gostar de entrevistar pessoas e cantar, a música destacava-se, sempre”, refere, acrescentando, divertida, que “as aparelhagens lá de casa tinham de ter um kit microfone, se não, não eram bem-vindas”.

Embora nunca tenha frequentando o conservatório, foi por volta dos cinco anos, e com o incentivo da mãe, que se inscreveu nas aulas de piano. “Foi aí que tive o primeiro contacto com a parte teórica e prática da música. Aprendi a ler pautas e a tocar alguma coisa. No entanto, na altura, não senti que era esse o meu caminho e alguns anos depois, desviei-me das teclas”, explica-nos.

Já o canto manteve-se sempre presente. “Quando fui para a universidade achei que estava na hora de procurar formação nessa área, aprender a respirar, conhecer a minha voz e testar-me no palco, e aí surgiram as aulas de canto, inicialmente na Figueira Stage School, que me proporcionou as primeiras experiências em palco, e neste último ano, no Porto, na Life in The Botle. Mas o ‘click’ que me fez perceber que me sinto bem em palco e a cantar para um público, surgiu quando, no ano passado, tive a felicidade de realizar um sonho e cantar com uma das minhas artistas preferidas, a Selah Sue, no palco do AgitÁgueda. Foi um momento mágico.”

Em palco, a jovem é conhecida por ARO, uma junção das iniciais do seu nome. “Quando comecei a cantar em alguns sítios, às vezes pediam-me para dar o meu nome ‘artístico’. Então lembrei-me de juntar as minhas iniciais. Depois, como gostei da sonoridade, tive um bom feedback e entretanto, em conversa com amigos, surgiu um logotipo original, com o trocadilho com a palavra ‘Arrow’, e como eu adoro brincar com palavras, assim ficou”.

Embora já tenha actuado em vários palcos, o Casino da Figueira da Foz é um dos locais com mais significado para a jovem cantora, principalmente porque foi ali que teve a oportunidade de fazer uma participação muito especial ao lado da carismática banda portuguesa “The Black Mamba”, no passado mês de Agosto. A sua última actuação naquele espaço aconteceu no Piano Bar, no passado sábado (dia 22), e foi um momento especial.

“O concerto correu muito bem. Estava um pouco nervosa e ansiosa no início, porque estava muita gente e ia apresentar o meu primeiro original, mas acabou por correr tudo bem. Acho que o feedback foi positivo, porque esteve casa cheia e fiquei também de coração cheio”, explica a futura médica dentista, que por agora pretende trabalhar em mais originais, “para, cada vez mais, me apresentar com a minha identidade”