O chef dos campeões

No passado dia 10 de Julho Portugal vibrou com a vitória da Selecção Nacional de Futebol, que se sagrou pela primeira vez Campeã da Europa. Jogadores e selecionador foram alvo de muitos e rasgados elogios e protagonistas de reportagens pelo mundo fora. No entanto, por trás de uma grande selecção há muito mais que um grande treinador. Prova disso é Luís Lavrador que há vinte anos que trabalha com a selecção nacional, não dentro das quatro linhas mas na cozinha, entre tachos e panelas.

Natural do Seixo de Mira, o chef conversou com o AuriNegra e contou-nos a felicidade e o orgulho que sente por ter feito parte de uma comitiva que ficará para sempre na história do desporto português.

“Foi a 9.ª vez que tive numa fase final, mas claro que esta teve um sabor muito mais doce… Soube a mel”, revela-nos, entre risos, este chef que já conta com mais internacionalizações que alguns dos jogadores convocados.

E afinal o que comeram os jogadores durante o tempo passado em França a defender as cores nacionais? “Olhe, comem de tudo mas claro que é uma alimentação com regras. Os Campeões são também Campeões na Mesa. Têm que ter todos os cuidados e uma dieta apropriada, Muito à base dos hidratos de carbono e carnes brancas e sem grandes condimentos, molhos ou gorduras, para serem de fácil digestão”, diz-nos o chef seixense, sem querer levantar muito o véu.

O mais importante, diz-nos, chef é manter uma ementa variada, e também saborosa: “Como foram 50 dias, tivemos que ter o engenho e a arte e ir variando, porque senão tornava-se saturador e chato. Temos que aliar a variedade às condições e necessidades dos atletas, fisiológicas e também afetivas”. Para matar saudades de Portugal, o chef destaca essencialmente o bacalhau, “que nunca pode falhar, pois é um emblema nosso”, e, para sobremesa, o tradicional arroz doce.

Luís Lavrador – que se fez acompanhar pelo filho, também ele chef, nesta aventura – garante que os jogadores são de boa boca e que nunca o questionaram. Para além disso, mais que alimentar os jogadores, Luís Lavrador diz que a cozinha serve para lhes proporcionar alegria e bem-estar, algo que faz com todo o carinho.

“Todos nós ficamos mais felizes e satisfeitos quando nos sabe bem a comida. Uma barriguinha cheia e satisfeita é sempre uma ajuda na hora de ter entusiasmo para jogar ou até para o pós-jogo, para retemperar energias ou até subir os ânimos”, garante.

Fã de futebol há várias décadas, Luís Lavrador refere ainda que foi com emoção e algum nervosismo que viveu este Campeonato da Europa: “Fui ver todos os jogos ao estádio e vivemos as emoções deles, as alegrias e tristezas. Felizmente as coisas foram correndo sempre bem e o ambiente que reinava era de confiança e muita harmonia”.