Município de Mira “está a perder a paciência”

O Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, esteve esta sexta-feira, dia 13 de Julho, no Edifício do Mira Center, em Mira, numa reunião de trabalho com todos os eleitos locais.

O membro do Governo detém a tutela das Águas de Portugal, que por sua vez detém poder de decisão nas Águas do Centro de Portugal, entidade que gere a rede em alta que serve os municípios de Mira e Cantanhede, e onde, nos últimos meses, têm ocorrido descargas de águas residuais, causando vários problemas aos locais.

Depois da reunião, e já em resposta aos jornalistas, Carlos Martins reforçou que “antes de encontrar uma solução temos que fazer um diagnóstico”. Como tal, acrescentou, seguir-se-ão “dois, três meses de estudos e análises a essas águas”.

“Pensámos que a elevação resolveria o problema mas não resultou. O que se passa em Mira e Cantanhede não é normal. As condutas estão no máximo e o caudal continua elevado 24 horas por dia, o que não é de todo habitual”, frisou, mostrando preocupação.

Carlos Martins referiu que “para além dos estudos que a AdCL tem estado a realizar, vão ser efectuadas inspeções vídeo para encontrar a razão pela qual os caudais se mantém praticamente constantes, para determinar se é por afluências indevidas ou por infiltrações, pelo que, pese embora todos os riscos ambientais e até sociais que estas questões colocam, vamos ter de passar mais dois ou três meses a fazer uma avaliação mais minuciosa”.

O Governante frisou que só depois deste estudo se poderá pensar na solução, que, referiu poderá passará por uma nova ETAR – que ainda assim demoraria cerca de 2 anos para estar construída.

Aproveitando a presença dos jornalistas, Raul Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Mira, agradeceu o empenho pessoal do Secretário de Estado, reforçando a disponibilidade deste em dirigir-se tanto ao concelho de Mira como ao de Cantanhede para tentar esclarecer as várias questões. No estando, o autarca frisou que “o município está a perder a paciência”.

“Sei que não há uma solução imediata nem uma varinha mágica mas a situação está a ficar impossível de comportar. Estamos a perder a paciência e vamos ter que tomar medidas junto do Tribunal Europeu ou através de providências cautelares. Estamos prontos para essa luta, porque isto já está a causar demasiados danos”, frisou Raul Almeida, apelando ainda “a uma gestão da água mais exigente por parte dos munícipes. Já temos um problema, temos que evitar outro, que seria a escassez de água neste momento”.