Miguel Castelo-Branco é um dos vencedores do Prémio FLAD

Os investigadores Miguel Castelo-Branco, da Universidade de Coimbra, e João Morais-Cabral, da Universidade de Porto, foram os vencedores da segunda edição do prémio FLAD Life Science 2020.

Os prémios, no valor total de 800 mil euros, divididos em partes iguais para cada uma das investigações destes cientistas, foram entregues no dia 26 de Janeiro, na sede da fundação, em Lisboa, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A investigação de Miguel Castelo-Branco, investigador, médico e neurocientista natural de Cantanhede, tem como objectivo verificar se um determinado mecanismo cerebral é uma das peças-chave no autismo e numa doença chamada neurofibromatose.

Miguel Castelo-Branco tem “metas ambiciosas” para o seu estudo. “Uma das ideias é identificar melhores soluções de diagnóstico para o autismo e penso que, no final, teremos melhores diagnósticos para vários subtipos de autismo”, explica. Outro objectivo essencial é encontrar novas soluções terapêuticas ou, pelo menos, abrir caminho para elas.

“Não estamos a falar de curar as causas destas doenças, que no caso do autismo ainda são muito misteriosas, mas de identificar novas estratégicas terapêuticas que possam eliminar os sintomas e melhorar significativamente a vida dos doentes”, sublinhou ao Diário de Notícias.

Para lá chegar, o projecto propõe-se a fazer o estudo detalhado, em modelo animal, dos mecanismos de excitação e inibição da actividade neuronal e da relação que existe entre eles em situação dita normal e no autismo ou na neurofibromatose, esta última uma doença de origem genética que causa atrasos no desenvolvimento e problemas de aprendizagem e memória.

Esta parte será desenvolvida nos Estados Unidos pelo grupo do investigador de origem portuguesa Alcino Silva, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que descobriu com outro português, o neurocientista Rui Costa, a origem genética da neurofibromatose.

Para além da investigação em modelo animal, a equipa do ICNAS vai usar ainda as suas técnicas avançadas de imagiologia (ressonância magnética, tomografia por emissão de positrões e outras) para estudar o problema em humanos – através de testes numa amostra de cerca de 100 pessoas – e testar a hipótese de a lovastatina, um fármaco já aprovado para uso humano e indicado para várias doenças, poder influir no equilíbrio entre os dois mecanismos neuronais.

Criado em 2014 pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), o prémio financia projectos com a duração máxima de quatro anos na área das ciências vida e da medicina.