Mestre Adelino Ângelo expõe na Casa Municipal da Cultura de Cantanhede

“Definir o Indefinível” é o título da exposição de pintura de Mestre Adelino Ângelo patente na Casa Municipal da Cultura de Cantanhede desde dia 14 de Maio e até 10 dia de Julho.

A mostra consiste em 60 telas a óleo, que representam uma síntese do universo estético singular de um pintor que é considerado um dos maiores retratistas portugueses, conforme sublinhou, na cerimónia inaugural da exposição, o presidente da Câmara Municipal, João Moura. Perante Adelino Ângelo e os convidados presentes, o líder do executivo camarário lembrou que “a exposição estava agendada desde que o artista plástico executou os retratos de oito vultos históricos do concelho de Cantanhede, expostos no salão nobre dos Paços do Concelho, na sequência das obras de reabilitação a que o edifício foi sujeito”.

Segundo o autarca, “os retratos dessas figuras ilustres acentuam a dimensão simbólica do espaço em que se desenrola o debate político no Município, o que constitui um bom pretexto para esta iniciativa da Casa Municipal da Cultura em dar a conhecer a obra do seu autor”.

Para João Moura a exposição evidencia “uma interpretação peculiar quer de espaços ou cenas e personagens de quotidianos específicos, quer na exploração da força expressiva de um certo imaginário religioso”. A propósito das temáticas mais recorrentes no universo artístico de Adelino Ângelo, “algumas paisagens e as singulares representações de Cristo, mas sobretudo os ciganos, os velhos e os mendigos, numa imagética de forte pendor sociológico”, o presidente da autarquia cantanhedense destaca “a sensibilidade que capta a essência das emoções humanas, transpondo-as para a tela de um modo que dá expressão sublime aos aparentemente indecifráveis enigmas que elas encerram”.

O verdadeiro artista

No âmbito do projecto de intervenção social promovido pelo Município de Cantanhede “Tardes Comunitárias: Dar + Vida Aos Anos” Adelino Ângelo fez de guia, no passado dia 18 de Maio, a cerca de 30 seniores que quiseram conhecer a exposição. No final, em conversa com o AuriNegra, o pintor autocaracterizou-se como “o verdadeiro artista”.

“Um artista nasce, não se faz”, partilhou, acrescentando que veio ao mundo com uma missão: “A minha missão é agredir o rosto da sociedade com o meu trabalho”. O pintor confessou também a preocupação de dar aos seus quadros aquilo a que chama de “mistério de Adelino Ângelo, traduzido na representação de uma leitura psicanalítica das personagens, captando o que lhes vai na alma”.

“Sou uma espécie de Sigmund Freud [pai da psicanálise] da pintura”, disse-nos, mostrando-se “muito orgulhoso pela originalidade” e “talento que não se aprende nas Escolas de Belas Artes”.

O artista aproveitou ainda a ocasião para agradecer ao Município de Cantanhede o interesse “em apresentar esta pequena retrospectiva da minha obra”, manifestando-se reconhecido pela “simpatia e afecto com que sempre aqui fui tratado” e referindo-se ao presidente da autarquia, João Moura, como “um senhor da cultura e de bom gosto pela arte”.

Sobre o autor

Adelino Ângelo nasceu a 8 de Novembro de 1931, em Vieira do Minho. O seu talento para o desenho e a pintura começou a ser notório desde tenra idade, tendo desenvolvido, a partir, daí um percurso artístico reconhecido nacional e internacionalmente. Autor de retratos de mais de duas mil e duzentas personalidades ilustres, o pintor distingue-se ainda pela singularidade da sua obra sobre os desvalidos do mundo contemporâneo, os ciganos, os mendigos e os sem-abrigo, entre outras personagens dominadas pelo sofrimento.

Com obra representada em colecções de vários países, Mestre Adelino Ângelo é o autor dos quadros de figuras ilustres do Concelho de Cantanhede que estão expostos no salão nobre dos Paços do Concelho. Muitas das suas obras foram doadas à Escola Francisco Holanda, onde foi professor durante mais de uma década.