Marcha pelos direitos dos animais

Organizações anti touradas, defensores do veganismo, grupos libertários, amigos dos cães e gatos juntaram-se no sábado passado, 9 de Abril, em frente à praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, em prol de uma causa comum: os direitos dos animais.

A escolha da mais emblemática praça do país para iniciar a concentração da Marcha Animal não foi inocente, já que foi ao som das palavras “tortura não é cultura”, que as centenas de pessoas que se juntaram no Campo Pequeno  prosseguiram em direcção à Assembleia da República.

Mas ser anti-tourada não foi o único motivo que levou à mobilização da Marcha, organizada pela Animal. Os manifestantes vieram pedir também “mais e melhor protecção” para todos os animais.

A Animal entregou na Assembleia da República duas petições que vão ser discutidas “em breve”: uma, pedindo ao Governo português que acate as recomendações das Nações Unidas e impeça os menores de 18 anos de trabalhar na tauromaquia ou assistir a espectáculos tauromáquicos, e outra, visando a proibição das subvenções para a actividade tauromáquica, que Rita Silva estima atingirem o valor de 16 milhões de euros por ano.

“Estamos a pedir que quem organizar touradas que as pague e vamos ver quanto tempo é que subsistem”, sublinhou a presidente da Animal, lembrando aos apreciadores destes espectáculos que “este é um exercício de sofrimento” e pedindo “que se coloquem no lugar daquele animal, que não escolheu estar ali e está a ser seviciado apenas para entretenimento”.

O deputado do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) André Silva, que também se juntou a esta Marcha anual, disse que a manifestação serviu para pedir mais direitos para os animais, mas também para celebrar aspectos positivos.

“É com muito agrado que vejo os direitos dos animais cada vez com maior expressão política e social” e as “conquistas que têm sido feitas ao longo destes anos”, destacou André Silva, adiantando que o PAN vai avançar com várias iniciativas legislativas em Maio, entre as quais uma proposta para proibir a subsidiação de touradas e outros espectáculos que envolvam o sofrimento de animais.

Além de representantes de partidos como o PAN, o Bloco de Esquerda, a Juventude Socialista do Seixal, o Livre ou “Os Verdes”, juntaram-se à Marcha Animal muitos cidadãos apartidários, que transmitiram, através de cartazes, as causas que mais os mobilizavam: dos que não querem “nem mais um touro na arena”, aos que dizem que somos “todos diferentes, todos animais”, os que declaram que “abandono é crime”, os que reclamam contra o abate em canis e gatis, os que pedem o fim dos “cosméticos cruéis”, os que defendem a “tourada só na cama”, os que apelam ao vegetarianismo e até mesmo os que exigem respeito pelos direitos dos pombos.