Manuel Cidalino apresentou “As festas e as tradições”

A Biblioteca Municipal de Cantanhede voltou a abrir as suas portas, no passado dia 30 de Setembro, para mais uma apresentação de uma obra de Manuel Cidalino Madaleno.

Desta vez, o historiador natural de Febres apresentou o livro “As festas e as tradições”, o 5.º volume de uma série de dez, intitulada “Construir a Memória da Região de Cantanhede”, e que resulta de uma edição da Areias Vivas, com o cunho da Câmara Municipal de Cantanhede e com a parceria da Confraria Nabos e Companhia.

Num auditório repleto de amigos, familiares e várias personalidades da área da cultura, saúde, ensino e política, Cidalino Madaleno deu a conhecer o livro, onde descreve mais de quarenta tradições populares, algumas das quais extintas desde o final do séc. XIX.

Nesta obra “o leitor encontrará, feita de forma simultaneamente séria e recreativa, uma interessantíssima abordagem de vertentes tão desconhecidas quão surpreendentes. Citam-se, a título de exemplo: o papel das festas como forma de aliviar a pressão que a miséria e as dificuldades da vida colocavam sobre as populações; as rivalidades e os bairrismos; a violência; as diferentes fontes de discórdia; a segregação social nas festas, entre ricos e pobres; a intromissão da política nas festividades, entre muitas outras”.

O livro aborda ainda a História do movimento filarmónico no concelho de Cantanhede, desde a década de 1840. “A ligação das Filarmónicas com o povo e as rivalidades entre estas e entre os seus apoiantes respectivos proporcionam uma enorme quantidade de narrativas, de facetas, de soberbos episódios completamente desconhecidos em que intervieram as oito Filarmónicas que ‘vivem’, ou já ‘viveram’, em cinco localidades do concelho: Ançã, Camarneira, Cantanhede, Covões, Pocariça e Tocha”.

“Temos, assim, divertidíssimos capítulos sobre o modo como nasciam e desapareciam as Filarmónicas; sobre as relações entre estas e os partidos políticos; sobre as rivalidades entre os músicos e as maldades que mutuamente se faziam; sobre a indisciplina no interior das Filarmónicas; sobre as incríveis estratégias que usavam para disfarçar a sua falta de qualidade musical; sobre os ódios entre as populações por causa das suas Filarmónicas, ao ponto de se advogar o apelo, em algumas circunstâncias, à presença do Exército nas Festas para se tentarem evitar as frequentes batalhas campais”, explica Cidalino Madaleno.

A apresentação editorial da obra esteve a cargo de Carlos Manuel Barreto Maltez, Engenheiro Agrónomo e vice-presidente do Cancioneiro de Cantanhede, grupo folclórico que presenteou o público com uma reconstituição etnográfica, merecedora de muitos aplausos.

Traçando rasgados elogios tanto ao livro como ao autor, Carlos Maltez aproveitou a ocasião para ler alguns excertos da obra, de “modo a abrir o apetite para a sua leitura, que arrebata o leitor do princípio ao fim”.

A presidir a sessão esteve o Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Cantanhede, Pedro Cardoso, que sublinhou “a importância desta obra para a reconstituição da memória da região de Cantanhede e o alcance histórico, pedagógico e cultural desta colectânea, para o conhecimento da nossa matriz cultural e sociológica”.

A edição de “As Festas e as Tradições” surge no âmbito de um ambicioso projecto editorial de 10 volumes que o Município de Cantanhede tem vindo a publicar e dos quais já foram editados “Bases para uma História Política”, “A Religião, a Política e as Superstições”, “A Higiene e a Medicina” e “Os Costumes”. Os livros podem ser adquiridos no Posto de Turismo, na Casa da Cultura de Cantanhede, no Museu da Pedra e na sede da Gira Sol, em Febres.