Livro vencedor da quarta edição do Prémio Literário Carlos Oliveira foi apresentado na Biblioteca Municipal

“A estrambótica aventura do senhor Martius Von Gloeden. O caçador de orquídeas”, de Carlos Roberto Loiola, livro vencedor da quarta edição do Prémio Literário Carlos de Oliveira, teve a sua apresentação editorial no passado sábado, 20 de Janeiro, no auditório da Biblioteca Municipal de Cantanhede.

Editado pela Gradiva, com apoio do Município de Cantanhede, a obra foi apresentada por Osvaldo Silvestre – professor de literatura na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e membro do júri do concurso –, no âmbito de uma sessão que contou com a presença do autor.

Na intervenção de abertura, a presidente da Câmara Municipal, Helena Teodósio, agradeceu a Carlos Roberto Loiola o facto de “ter vindo expressamente do Brasil para dar, de viva voz, um testemunho sobre a sua experiência de escritor, o que acentua o sentimento de proximidade que esperamos ver reforçado com a edição de ‘A estrambótica aventura do senhor Martius Von Gloeden’, alimentando a expectativa de que a atribuição do Prémio Literário Carlos de Oliveira aumente também, do outro lado do Atlântico, a curiosidade relativamente ao universo literário do seu patrono”.

Referindo-se à obra, a autarca salientou “o profundo conhecimento do autor sobre o ambiente histórico e social em que se desenrola a narrativa, reconstituindo o contexto em que se movem as personagens com a sua mundividência muito própria e a sua linguagem característica”, sublinhando “o modo particularmente criativo como Carlos Roberto Loiola transpõe para a narrativa o universo da orquidofilia, área em que é também especialista”.

A análise literária de Osvaldo Silvestre sobre “’A estrambótica aventura do senhor Martius Von Gloeden” assentou em aspectos valorizados pelo júri na atribuição do Prémio Literário Carlos de Oliveira, nomeadamente a “capacidade de efabulação” do autor e o seu “trabalho sobre a linguagem, que reproduz ficcionalmente o discurso, as superstições e a visão do mundo de um camponês (caipira) de Minas Gerais”, bem como a “riqueza compositiva e narrativa do romance, ambientado no Brasil imperial”.

O académico e professor universitário da Universidade de Coimbra, que é também membro do júri e consultor científico de todo o espólio de Carlos de Oliveira, fez o enquadramento do livro de Carlos Roberto Loiola referindo que “a sucessão de histórias bem contadas dão corpo a uma narrativa muito divertida e inteligente” que revela “a grande capacidade de escrita e imaginação de um autor que soube cruzar, de forma particularmente bem conseguida, múltiplas referências de diversos saberes, como a cultura, a literatura, a orquidofilia e a justiça, entre outros”.

No seu testemunho, Carlos Roberto Loiola disse que “a ideia de começar a escrever o livro surgiu durante uma audiência, na sequência de uma provocação de um advogado, surgiu como que um grito de revolta pelo que via acontecer na barra dos tribunais por onde passou no Brasil”. O escritor, que é Juiz de Direito em Belo Horizonte, referiu que “a obra contém também uma perspetiva filosófica em torno dessa grande e ancestral procura da verdade nas decisões jurídicas”.