Jovem de Febres em destaque nas Escolíadas

Emanuel Carvalheiro é natural de Febres mas é em Mira que estuda. O jovem, de apenas 18 anos, é um apaixonado pelas artes desde pequeno e isso manifestou-se na última edição da Escolíadas, onde, em representação da Escola Secundária de Mira (que obteve o 2.º lugar geral) foi distinguido.

“Sempre tive jeito para as artes. Lembro-me que, por volta dos 4 anos, os meus dias eram passados a desenhar tudo o que me viesse a cabeça. Já nessa altura, tinha sempre uma fome e uma necessidade de alcançar uma representação verídica do mundo que me rodeava, e essa ambição foi motivando até agora, levando-me a trabalhar e a melhorar o meu traço, dia após dia”.

Embora tenha gosto por outras artes, como a música (integrou as Pequenas Vozes de Febres durante vários anos), é no desenho que se destaca e mais empenha, “porque me permite facilmente representar um sentimento ou emoção, um pensamento ou um desejo. Ou seja, tudo aquilo que eu guardo para mim pode ser interpretado por outra pessoa através de umas meras camadas de tinta e essa liberdade de me expressar é simplesmente impagável”.

“Comecei a ter noção da minha habilidade quando, nos meus primeiros anos de escola, os meus colegas ficavam de boca aberta quando eu lhes mostrava os meus ‘rabiscos’. Até os professores iam reconhecendo a minha destreza, e isso ajudou a que nunca mais parasse de desenhar”.

A inspiração, refere, não sabe bem de onde vem. “Muitas das vezes o meu estímulo artístico vem quando menos estou à espera. Aí sinto uma vontade enorme de passar para o papel uma quantidade infindável. É uma vontade quase física e violenta até…É mesmo indescritível e inexplicável”.

No futuro, o jovem febreense gostava de se licenciar e tirar um mestrado em pintura “para conhecer mais sobre a área mas também para aplicar esses conhecimentos na minha técnica, que eu acredito que ainda está em evolução”.

“Sinto que ainda tenho muito por aprender e estou constantemente faminto por mais e mais, à medida que os dias passam”; refere ao AuriNegra, contando-nos que o objectivo passa “por criar um nome. Eu quero que as pessoas olhem para o meu trabalho e que me conheçam através dele. É um pouco ambicioso mas eu quero ser de facto um dos grandes pintores da minha geração”.

A experiência nas Escolíadas

Nas Escolíadas, Emanuel refere-nos que ganhou essencialmente “experiência”.

“Sinceramente, tenho que agradecer os meus colegas: Francisco Parada, que ganhou o prémio de melhor músico do polo III, Luís Castelhano, que ganhou o prémio de melhor actor do polo III, Viviana Mesquita, que foi a nossa chefe de claque e que fez um trabalho inacreditável com a mesma, João Tavares, que ganhou o prémio de melhor voz do polo III e a todos os outros que estiveram lá comigo e que me apoiaram neste percurso”.

Na competição, Emanuel teve que apresentar três trabalhos, “cada um com uma vertente diferente do tema em geral que era o medo. No primeiro trabalho apresentei um cão rafeiro comum mas substitui as suas patas por mãos humanas que lhe cobriam a cara em medo. O segundo trabalho era sobre a libertação do medo e representei um homem que, numa tentativa desesperada de se libertar do medo, acaba por arrancar a sua própria carne revelando o seu crânio. Já o terceiro trabalho, de nome o “Fim do medo”, representava duas figuras em conflito. Todos estes trabalhos foram feitos num suporte de madeira, pintados a pastel de óleo e começados e acabados dentro do espaço de uma hora”.

No entanto, o jovem reforça, que sem os amigos “eu não tinha chegado à final de Artes e Mira não chegaria à final como escola. O troféu só tem significado para mim porque me traz memórias de pessoas a quem eu posso chamar de amigos e não só um lembrete do meu trabalho individual”.