Instrumentista portuguesa toca clarinete no filme de Brad Pitt

Nasceu em França mas foi na Granja (Ançã), terra natal do Pai, que Virgínia Costa Figueiredo passou grande parte da infância. Agora é no Estados Unidos da América que esta instrumentista musical brilha como professora e clarinetista, uma carreira que lhe deu nome suficiente para ser convidada a integrar a orquestra que fez a banda sonora para o último filme coproduzido do Brad Pitt.

A viver em Los Angeles, aos 40 anos, Virgínia conta já com um currículo invejável na área da música, que a acompanha desde muito cedo. Dos tempos de miúda recorda principalmente as lições de música na Phylarmonica Ançanense, desde a escola primária, e onde o clarinete sempre foi o instrumento de eleição.

Para prosseguir os seus estudos musicais, Virgínia decidiu ir estudar para a cidade de Los Angeles (nos EUA) em 2003, como bolseira de Mestrado pela Gulbenkian. “Na altura não havia cursos de Mestrado de música, na vertente performer, em Portugal, e por isso quis ir para fora. Fui a 2.ª pessoa portuguesa a obter o mestrado em clarinete. Depois, em 2006, resolvi prosseguir os estudos e fazer também o doutoramento em música – vertente performance de clarinete”.

Viver em Los Angeles há 16 anos tem sido uma aventura, com tanto de excitante como de difícil, refere. “Aprende-se muito com outras culturas mas, em simultâneo, também aprendemos muito acerca de como a nossa cultura é vista do lado de fora. Viver aqui abriu-me muito os horizontes, a minha perspectiva. No entanto é difícil porque existe uma solidão de não estarmos rodeados por uma cultura familiar, o que nos obriga a desenvolver um instinto de sobrevivência, tolerância ao desconforto e independência muito fortes”.

Ainda assim, o esforço é compensado com as ofertas e trabalhos que vão surgindo. “Tenho participado em projectos de gravação de música para filmes, documentários, CDs (inclusive para uma das músicas do Chance The Rapper). Tenho também um CD, a sair em breve, de música para clarinete e piano, com canções de compositores latinos (mexicanos e da América do Sul), chamado ‘Intuición’”.

Para além disso, a artista portuguesa é também professora na Pierce College, Cerritos College e Moorpark College e toca com a companhia Pacific Opera Project.

Um dos últimos projectos de Virgínia Figueiredo foi a sua participação na banda sonora do filme “The Last Black Man in San Francisco”, coproduzido pelo norte-americano Brad Pitt e apresentado no passado dia 26 de Janeiro, no Festival Sundance.

Esta oportunidade surgiu como fruto do “networking com músicos e compositores” que é fomentado pela forte presença da indústria cinematográfica em Los Angeles, explicou Virgínia Costa Figueiredo.

Outro dos projectos que a doutorada em música tem em curso é a criação de um livro de instrução de clarinete para alunos do ensino básico baseado em música popular portuguesa, “que é uma coisa que nunca foi feita”. Neste momento, Virgínia Figueiredo está a recolher as músicas “para depois transcrever como exercícios de aprendizagem de clarinete”, tendo como alvo alunos portugueses, brasileiros, e luso descendentes”.

Para o futuro, os planos desta instrumentista passam essencialmente por continuar a fazer aquilo que gosta: “Concertos, gravações, etc, e continuar a dar aulas de música. Pode ser aqui ou noutro lado. Mantenho uma atitude flexível e positiva, o que é essencial no desenvolvimento e crescimento de uma carreira artística”, frisa.

“Penso que, neste momento, o benefício de estudar música está finalmente a receber o relevo que merece. Em Portugal há muito a ideia que quem estuda música torna-se músico, mas em muitas outras partes do mundo, como aqui nos EUA, e particularmente na Ásia, as crianças estudam música para desenvolver qualidades que neste momento são difíceis de obter em outras cadeiras curriculares. Benefícios que incluem, por exemplo, a capacidade de desenvolver um trabalho exigente e intelectual como parte de uma equipa, desenvolver a concentração mental sem distrações, a apreciação da arte e da beleza artística, e o convívio com outras crianças enquanto se desenvolve um projeto criativo, em especial numa altura em que tantas crianças passam a maior parte do tempo livre em frente a um monitor. Espero que também em Portugal estes benefícios sejam realizados por aqueles que gerem o sistema educativo, de modo a proporcionar uma educação mais completa às crianças”. Para saber mais informações sobre a carreira e os projectos de Virgínia Figueiredo, existe um site www.virginiacfigueiredo.com ou podem simplesmente acompanhar a clarinetista através da sua página no instagram ou facebook.