“In memoriam de António Fragoso”

O ano de 2018 separa-nos 100 anos da morte de uma figura ímpar da História da Música Portuguesa. António Fragoso morreu a 13 de Outubro de 1918, na Pocariça, concelho de Cantanhede, quando contava apenas 21 anos de idade. Apesar da morte prematura, o seu génio como compositor está bem patente na obra que nos deixou, a qual tem tido impacto por esse mundo fora, onde se estuda a sua música e a sua vida e onde se interpretam, cada vez mais, as suas obras.

A Associação António Fragoso, presidida pelo sobrinho do compositor, Eduardo Fragoso, leva a cabo um programa muito ambicioso, que decorrerá entre 21 Outubro de 2017 e 14 de Outubro de 2018, para celebrar o centenário da morte de António Fragoso.

Do referido programa, consta um vasto número de concertos sinfónicos e clássicos, concertos de câmara, palestras, colóquios, exposições, revisão de toda a sua obra musical, gravação de CD’s com a Integral de toda a sua obra, publicação dos seus dois livros inéditos e de uma Nova Biografia, etc.

No total, são mais de 100 eventos a acontecer maioritariamente na Zona Centro de Portugal, mas que alcançam cidades além-fronteiras, como Madrid, Roma, Paris, Londres, Munique ou Boston e Chicago.

Este vasto programa de comemorações conta com o alto patrocínio do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, bem como apoio e entusiasmo dos Municípios de Cantanhede, Mira, Figueira da Foz e Carregal do Sal, tendo também sido classificado pelo Ministro da Cultura como um programa de Interesse Cultural.

O concerto inaugural tem lugar no dia 21 de Outubro próximo no CAE -, Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz e será transmitido em directo pela RTP2. Os restantes eventos irão sendo divulgados.

 

António Fragoso

Nasceu em 17 de Junho de 1897, na Pocariça, distrito de Coimbra, Portugal, onde viria a falecer a 13 de Outubro de 1918 vitimado pela gripe pneumónica que nessa época se fazia sentir em toda a Europa. A sua vocação precoce para a música foi evidenciada logo aos seis anos, quando começou a aprender a ler pautas e a tocar piano com António Tovim, seu tio e médico, figura com uma vasta cultura musical que teve uma influência marcante nesses primeiros anos da sua formação musical.

Entre 1907 e 1914, concluiu na cidade do Porto o Curso Geral dos Liceus e os dois primeiros anos do Curso Superior de Comércio, sem nunca ter deixado de aprofundar os seus estudos de piano agora sob orientação do Professor Ernesto Maia. Aos 16 anos publicou e deu a primeira audição da sua primeira obra musical, composta com apenas 12 anos e à qual deu o título de “Toadas da Minha Aldeia”, muito aplaudida pela crítica musical.

Algumas notas biográficas referem que teve de vencer uma certa resistência dos pais para se matricular no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, que viria a frequentar até 1918, ano em que obteve o diploma do Curso Superior de Piano com 20 valores, a classificação máxima. A partir daí iniciou um percurso artístico amplamente reconhecido nos círculos culturais do País, não apenas como exímio pianista, mas também como compositor, ao ponto de ser considerado pelos críticos da época como “um dos mais poderosos talentos da sua geração”. João de Freitas Branco refere mesmo que entre as suas peças “se encontram páginas surpreendentes num compositor com menos de 21 anos”.

Estava previsto que António Fragoso iria continuar os seus estudos de composição em Paris, com Mestre Vincent D’Indy, na La Schola Cantorum, alguns dias depois da sua morte. Recentemente os herdeiros de António Fragoso descobriram cerca de duas dezenas de peças por ele compostas e ainda “Inéditas” na sua maior parte.

Algumas das suas obras tiveram direito de ser incluídas nos programas oficiais do Conservatório Nacional de Música ainda durante a sua vida, tendo sido tocadas desde então por sucessivas gerações de estudantes e músicos profissionais.

O seu espólio encontra-se, desde Maio de 2014, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Este acervo é muito variado. Para além das suas obras musicais encontram-se também, fotografias do compositor, correspondência pessoal e outros escritos sobre os mais diversos assuntos, que incluem temas relacionados com música, guerra, filosofia e costumes mundanos da sociedade em que viveu.

 

Associação António Fragoso

[Missão: Revelar António Fragoso como um compositor imortal, a nível mundial]

A ASSOCIAÇÃO ANTÓNIO FRAGOSO (AAF) é uma instituição cultural sem fins lucrativos, fundada em Janeiro de 2009, que tem como principais objetivos o estudo, a revisão, a edição e a ampla difusão das obras musicais e literárias (estas últimas ainda inéditas e também de grande valia) deixadas por António Fragoso.

A AAF foi impulsionada por um conjunto de conterrâneos e familiares que não quiseram ver esquecido um singular património artístico e cultural, apesar de malogradamente, o genial compositor só ter vivido 21 anos num País em que as valiosas referências de música clássica são tão raras.

Nestes quase oito anos de vida da Associação, foi realizada uma grande diversidade de concertos, bem como um Colóquio Internacional – “António Fragoso e o seu Tempo”, promovido pela Universidade Nova de Lisboa em parceria com esta Associação. Este Colóquio deu um significativo contributo para o conhecimento de Fragoso e da sua obra, tendo ainda permitido perspetivar o que ele teria podido ser se a sua vida tivesse sido mais longa.

O principal objetivo da AAF é o de deixar a totalidade do seu legado, devidamente estudado, revisto, publicado e gravado, permitindo assim que a sua memória e a sua obra perdurem no tempo e constituam um valioso património para as gerações vindouras.

Quando nos referimos à obra de Fragoso, estamos a considerar, em primeiríssimo lugar, as suas composições musicais que, apesar da juventude do seu autor, nos revelam o seu génio único e tão surpreendentemente promissor. Elas estarão muito em breve no site www.antoniofragoso.com, na sua totalidade, ao dispor de todos os músicos e melómanos que a elas desejem ter acesso.

A obra literária que Fragoso deixou e que permaneceu até agora inédita, é igualmente muito interessante, porque nos revela a cultura e personalidade do seu autor e nos dá uma visão de grande perspicácia sobre o ambiente cultural português desse início de século XX. Esta obra está a ser editada pela Imprensa da Universidade de Coimbra, tal como uma nova biografia do compositor escrita pela professora da Pontifícia Universidade Gregoriana, Barbara Aniello.

A Associação António Fragoso tem realizado um grande número de concertos (mais de quatrocentos nestes últimos oito anos) onde, para além da música de Fragoso, se tem tocado obras de outros compositores a quem todos consideramos imortais.

Criou também um Departamento de Ensino no qual se fundaram duas academias. Uma dedicada ao ensino iniciático onde se utiliza um método pedagógico que se baseia na prática e na experiência. A outra, designada por Academia Internacional de Música “Aquiles Delle Vigne”, foi criada através de uma parceria entre a Associação António Fragoso e a associação belga Musici Artis e pratica um ensino do piano de altíssima craveira. É frequentada por pianistas jovens, na sua maioria estrangeiros, que procuram um aperfeiçoamento e que buscam a excelência nas suas atuações. Os seus alunos têm recebido os mais altos prémios em concursos internacionais, fazendo jus à excelência do ensino nela praticado. Hoje é uma academia autónoma, mantendo a AAF uma estreita ligação à A2DV, nome da sociedade que a governa.

Actualmente António Fragoso é tocado como nunca o foi, tanto em Portugal como no estrangeiro. Espera-se que as comemorações do centenário da sua morte tragam um novo impulso à sua divulgação. Serão levados a efeito 90 eventos no nosso País e ainda 14 no estrangeiro e publicado todo o seu espólio, esperando com isso que o génio de Fragoso seja reconhecido mundialmente e a sua obra permaneça de geração em geração, proclamando a sua imortalidade.