Honrar o passado, construir o futuro

No passado dia 18 de Abril faleceu o Dr. Fernando Santos, uma das personalidades mais queridas e mais respeitadas da Região da Gândara, da cidade de Cantanhede e da vila de Febres, onde exerceu Medicina durante mais de 60 anos.

Para além da sua competência e constante disponibilidade como médico, era um escritor de muito mérito, tendo publicado vários livros (com o pseudónimo de Ferro Santos, alguns deles editados pela Gira Sol) e enriquecido as páginas deste jornal com saborosas crónicas, onde evidenciava um invulgar sentido de humor e um acutilante espírito crítico.

Em termos pessoais, devo dizer que já sinto saudades das longas conversas no consultório, a maior parte das vezes versando os tempos de estudante de Coimbra, os episódios curiosos envolvendo os professores e colegas da Universidade, a Académica.

O Dr. Fernando Santos era também um cidadão com uma indomável consciência cívica, sensível e solidário.

Eloquente demonstração do seu prestígio é o facto de mais de 18 mil pessoas se terem apressado a ler a notícia do seu falecimento que publicámos na nossa edição on line, muitas delas a deixarem ali sentidos comentários de condolências.

O Dr. Fernando Santos partiu, mas o seu exemplo perdura na memória de quantos o conheceram, fazendo jus a figurar na História de Febres, de Cantanhede, da Gândara.

 

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Na História recente de Portugal, o 25 de Abril de 1974 ocupa um lugar de relevo, já que foi nessa data que uma Revolução sem sangue derrubou uma das mais velhas Ditaduras do Mundo, instaurando um regime democrático.

Anteontem, por todo o País decorreram celebrações dos 44 anos da Revolução, com homenagens aos militares que ousaram derrubar o regime, mas também a tantos cidadãos de diversas gerações, que lutaram, ao longo de décadas, pela Liberdade e pela Democracia (muitos dos quais, infelizmente, partiram sem testemunhar “o dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio”, como definiu a poetisa Sophia de Mello Breyner).

Destaco a sessão solene na Assembleia da República, onde houve intervenções muito interessantes, sem as crispações e os divisionismos que caracterizaram anos recentes…

Sem desprimor pelos restantes, quero destacar o discurso da representante do PSD, Margarida Balseiro Lopes. A jovem deputada (tem 28 anos e foi eleita, há poucos dias, Presidente da JSD), trouxe uma linguagem refrescante, que – a par com a nova liderança pacificadora e dialogante de Rui Rio – permite acalentar renovadas esperanças quanto à credibilização da política, numa altura em que se multiplicam os escândalos de corrupção e as atitudes que denotam falta de ética envolvendo figuras destacadas.

 

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Outro aspecto contrastante é o que diz respeito à emigração e à imigração. Todos se recordam do então Primeiro Ministro Passos Coelho aconselhar os jovens, como caminho para enfrentarem a crise, a saírem do País. E foram centenas de milhares que lhe seguiram o conselho, com as consequências daí resultantes para Portugal, para eles próprios e para as respectivas famílias.

Pois em flagrante contraste, o actual Primeiro Ministro, António Costa, defendeu há dias que Portugal tem de é de conseguir atrair imigrantes de outros países, pois só assim conseguirá combater o preocupante défice demográfico que nos afecta. Avisada sugestão para minimizar aquele que é um dos mais graves problemas do País – com consequências dramáticas para as gerações vindouras.

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Também na Justiça se vê, com satisfação, que não há ninguém acima da Lei, e que mesmo figuras que ocupam, ou ocuparam, funções destacadas, estão a ser chamadas para responder por delitos que alegadamente cometeram.

Infelizmente, porém, a Justiça continua a não ser igual para todos.

E não é só o facto de quem tem dinheiro poder contratar poderosos escritórios de advogados – que conseguem, em muitos casos, evitar que os seus clientes sofram as consequências dos seus actos ilícitos.

Como ficou demonstrado nas gravações da Operação Marquês que as televisões têm vindo a mostrar (o que acho condenável!), os arguidos importantes podem gritar, quase insultar os procuradores, sem problemas. Já uma das testemunhas, uma jovem que terá beneficiado de apoios do antigo Primeiro Ministro Sócrates, foi tratada com grande agressividade e falta de respeito por um dos que a interrogavam.

É o velho problema daqueles que só sabem ser fortes com os fracos, mas que não conseguem deixar de ser fracos com os fortes…

Autor: Jorge Castilho (Director do AuriNegra)