Fogos VIII – Limpeza de matos

Não poucas vezes, alguns amigos meus vivendo nas cidades têm dificuldade em encontrar quem lhes possa fazer uma limpeza dos matos nas terras que têm na sua aldeia.

Nem tampouco sabem quanto devem pagar, o que deve ser limpo e como.

A questão é de facto complexa e a informação escassa para quem vive fora.

Existindo Associações de Proprietários Florestais nos concelhos, os seus técnicos podem ter uma intervenção mais activa nesta matéria.

Anualmente a Associação podia negociar com os prestadores de serviços uma tabela para os seus associados.

Os técnicos das Associações em conjunto com os Gabinetes Técnicos Florestais das Câmaras podiam desenhar as áreas estratégicas e prioritárias de intervenção, definir o tipo de técnica a utilizar, se uma gradagem, a utilização de destroçadores ou se necessário uma intervenção manual com motorroçadoras… Podiam estabelecer áreas para utilização de fogo controlado.

Este trabalho de planeamento deve ter o apoio dos técnicos do ICNF, das empresas que operem no concelho e das Universidades.

Feito o planeamento, definidas as acções, devem ser discutidas e partilhadas com os proprietários residentes e não residentes, e introduzir as alterações que os mesmos propuserem e sejam correctas.

Não sou dos que partilho a opinião de que os proprietários são desmazelados e não se interessam pelas suas propriedades.

Haja razoabilidade nas propostas, haja vantagens e os proprietários entendem e aderem.

Parece demasiado simples, será. O que exige? Trabalho no terreno, conjugação e coordenação de esforços.

Autor: Vasco Paiva (Engenheiro Florestal) 

O autor colaborou com o AuriNegra na elaboração de 13 textos referentes aos incêndios.