Fogos IV – Os fogos, as notícias e as opiniões

O lixo televisivo não respeita nada, nem ninguém. Não tem um mínimo de consideração pelas pessoas e pelo seu sofrimento. Quer o drama e a tragédia. Não lhes interessa o esclarecimento. Prefere a confusão, o disparate, as frases bombásticas. Choca ver tantos “jornalistas” e “repórteres” sem um mínimo de ética e de sensibilidade.

A direita, o PSD e o CDS voam como abutres sobre a desgraça, procurando camuflar as suas responsabilidades e tentar tirar um qualquer proveito partidário sem escrúpulos.

Ouvir, ler uma análise responsável que tente ser isenta, ter suporte científico ou técnico, não interessa, é maçador.

Infelizmente há muita gente a alinhar nisso, a ir na onda de repetir asneiras, sem parar para pensar. Tanta gente com “opinião”…

Se houver uma epidemia é natural que se ouçam as opiniões dos médicos. Nas florestas não é assim, voltamos ao tempo em que os barbeiros também tiravam dentes, ou os endireitas resolviam problemas de ortopedia.

A ignorância é atrevida, ou, como dizia Einstein, o Universo e a ignorância são infinitos.

Procurarei dar a minha opinião e prosseguir na abordagem serena dos temas sobre a floresta. Espero que seja útil, mas desde já previno que não respondo a provocações.

Hoje, saúdo a aprovação da Lei dos Baldios, com os votos do PCP, PEV, BE e PS. É, pode ser se bem aplicada, muito importante para a reanimação das áreas comunitárias e um contributo para suster a desertificação do interior e das montanhas.

Hoje, termino recordando que os espaços florestais representam 64% do território, contribuem para 3% do PIB e são responsáveis por 12% das nossas exportações. Recordando ainda que prestam múltiplos serviços, como garantir a qualidade da água, proteger o solo, evitar a erosão, fixar o Carbono e muitos outros que não são facilmente contabilizados.

Autor: Vasco Paiva (Engenheiro Florestal) 

O autor colaborou com o AuriNegra na elaboração de 13 textos referentes aos incêndios.