Festival FORTE em Montemor-o-Velho cativa público estrangeiro

A terceira edição do festival de música electrónica FORTE, que arranca amanhã (quinta-feira, 25 de Agosto) no castelo de Montemor-o-Velho, espera a presença de milhares de espectadores, grande parte oriundos de países estrangeiros.

De acordo com Irina Sales Grade, da Soniculture, promotora do festival, o FORTE – cuja lotação é restrita a um máximo de cinco mil pessoas por dia – “já ultrapassou os números do ano passado” em bilhetes vendidos, sendo que cerca de 70% dos espectadores se deslocam de fora de Portugal, de países europeus, mas também da América Latina.

Segundo o presidente da autarquia de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, a edição deste ano do evento vendeu bilhetes em países como a Nova Zelândia, Espanha ou Brasil, entre outros, mas também dois ingressos no Afeganistão.

“No ano passado fui ao espectáculo de abertura do primeiro dia, fui para a fila [da bilheteira] e, para meu espanto, numa fila de 100 metros, não vi ninguém a falar português, só espanhol, inglês e alemão”, ilustrou o autarca.

O festival é procurado, segundo Emílio Torrão, por uma “elite endinheirada, com posses”, nomeadamente entre os espectadores estrangeiros, “gente refinada, com profissões liberais e da área artística” e que paga despesas na vila “com notas de 100, 200 ou até de 500 euros”.

Emílio Torrão destaca ainda o “impacto” económico que o FORTE tem em Montemor-o-Velho e na região circundante, nomeadamente ao nível da hotelaria de Coimbra e Figueira da Foz e, embora admitindo que a música electrónica que ecoa do castelo para a vila “incomoda muitas pessoas”, esta acaba por ser “tolerada, porque o festival deixa muito dinheiro e ninguém quer que saia daqui”.

“O tipo de espectadores que vem ao FORTE não bebe cerveja, não se veem copos no chão. Bebem bebidas brancas e não é um tipo de pessoas que incomode os outros. Divertem-se, a vila ganha uma vida incrível com o movimento pendular entre o parque [de campismo] e o castelo, mas não há barulho, não há queixas, o que faz com que o festival seja muito bem aceite”, referiu.

Irina Sales Grade lembra que o FORTE “teve sempre a preocupação” de integrar a população de Montemor-o-Velho e que cerca de 50 pessoas acabam por colaborar directamente nas montagens do festival e ao longo do evento. O programa do FORTE arranca às 22h00 de quinta-feira e a primeira noite estende-se até às 09h00 de sexta-feira com um cartaz que inclui um espectáculo de abertura a cargo de Ben Frost e MFO, Apparat, Cabaret Voltaire, Daniel Miller e Marcel Dettmann.

O horário repete-se entre sexta-feira e sábado, com um alinhamento onde pontificam os nomes de Ancient Methods, Ben Klock, Helena Hauff, Manu, Rrose, Shcuro e Trade.

O último dia de espectáculos inicia-se às 22h00 de sábado mas estende-se por quase 24 horas, até às 21h00 de domingo, último dia do festival, com actuações e performances de Amulador, Apart, David Rodrigues, Drumcell, Kobosil, Konstantin, Michael Mayer, Orphx, Rodhad, Rui Vargas, Sebastian Muellart & Ulf Eriksson, Silent Servant, Truncate, Vil e Vril.