Exposição de Mestre Adelino Ângelo na Casa Municipal da Cultura de Cantanhede

“Definir o Indefinível” é o título da exposição de pintura de Mestre Adelino Ângelo que está patente na Casa Municipal da Cultura de Cantanhede desde o passado sábado, dia 14 de Maio.

A mostra consiste em 60 telas a óleo, que representam uma síntese do universo estético singular de um pintor que é considerado um dos maiores retratistas portugueses, conforme sublinhou, na cerimónia inaugural da exposição, o presidente da Câmara Municipal, João Moura.

Perante Adelino Ângelo e os convidados presentes, o líder do executivo camarário lembrou que “a exposição estava agendada desde que o artista plástico executou os retratos de oito vultos históricos do concelho de Cantanhede que estão expostos no salão nobre dos Paços do Concelho, na sequência das obras de reabilitação a que o edifício foi sujeito”. Segundo o autarca, “os retratos dessas figuras ilustres acentuam a dimensão simbólica do espaço em que se desenrola o debate político no Município, o que constitui um bom pretexto para esta iniciativa da Casa Municipal da Cultura em dar a conhecer a obra do seu autor”.

Para João Moura a exposição evidencia “uma interpretação peculiar quer de espaços ou cenas e personagens de quotidianos específicos, quer na exploração da força expressiva de um certo imaginário religioso”. A propósito das temáticas mais recorrentes no universo artístico de Adelino Ângelo, “algumas paisagens e as singulares representações de Cristo, mas sobretudo os ciganos, os velhos e os mendigos, numa imagética de forte pendor sociológico”, o presidente da autarquia cantanhedense destaca “a sensibilidade que capta a essência das emoções humanas, transpondo-as para a tela de um modo que dá expressão sublime aos aparentemente indecifráveis enigmas que elas encerram”.

Por seu lado, o artista plástico agradeceu ao Município de Cantanhede o interesse “em apresentar esta pequena retrospectiva da minha obra”, manifestando-se reconhecido pela “simpatia e afecto com que sempre aqui fui tratado”.

Referindo-se à exposição “Definir o Indefinível”, Adelino Ângelo adiantou que nela se pode “conhecer um pouco de uma pintura que formalmente assenta no domínio do desenho e na conjugação da cor e da luz, mas que procura ir muito mais além do que a simples representação de figuras ou situações”. O pintor confessa a preocupação de dar aos seus quadros o que chama de “mistério de Adelino Ângelo, traduzido na representação de uma leitura psicanalítica das personagens, captando o que lhes vai na alma”.

Adelino Ângelo nasceu a 8 de Novembro de 1931, em Vieira do Minho. O seu talento para o desenho e a pintura começou a ser notório desde tenra idade, tendo desenvolvido, a partir, daí um percurso artístico reconhecido nacional e internacionalmente.

Autor de retratos de mais de duas mil e duzentas personalidades ilustres, o pintor distingue-se ainda pela singularidade da sua obra sobre os desvalidos do mundo contemporâneo, os ciganos, os mendigos e os sem-abrigo, entre outras personagens dominadas pelo sofrimento.

Com obra representada em colecções de vários países, Mestre Adelino Ângelo é o autor dos quadros de figuras ilustres do Concelho de Cantanhede que estão expostos no salão nobre dos Paços do Concelho.

“Definir o Indefinível” estará patente ao público na Casa Municipal da Cultura de Cantanhede até ao dia 10 de Julho.