Estudantes de Coimbra decidem se garraiada continua na Queima das Fitas

O referendo sobre a continuidade da garraiada no programa da Queima das Fitas de Coimbra decorre amanhã, terça-feira, entre as 10h30 e as 00h00, com mesas de voto em todas as faculdades da Universidade de Coimbra. A votação decorre também entre as 19h30 e as 00h00 na sala de estudo da Associação Académica de Coimbra, num referendo organizado pela Comissão Organizadora da Queima das Fitas (COQF), que propôs a abolição da garraiada.

Para o presidente da Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra (AAC), Alexandre Amado, “não faz sentido hoje perpetuar uma tradição dessas, assente em práticas que desrespeitam a dignidade dos animais”.

“A AAC sempre valorizou a tradição, mas sempre entendeu conseguir mudá-la quando estava mal. É uma tradição que não está adequada ao nosso tempo e não me parece que seja um cartão-de-visita positivo. A garraiada não tem em consideração o bem-estar animal”, disse à agência Lusa Alexandre Amado, frisando que esta é a sua posição pessoal, sendo que a Direcção-Geral da AAC “entendeu que, institucionalmente, não faria sentido interferir”.

Alexandre Amado aponta também para um “argumento lateral”, que é a questão financeira: “A garraiada tem causado um prejuízo significativo de 20 a 30 mil euros por festa”.

O dux do Conselho de Veteranos, João Luís Jesus, referiu que também o órgão que lidera optou por não tomar uma posição antes do referendo, recusando-se a divulgar a sua posição pessoal sobre a matéria.

“A posição pessoal será tomada no boletim de voto”, respondeu.

Nas redes sociais, têm surgido páginas a defender posições a favor e contra a garraiada.

Uma, intitulada “Coimbra dos Estudantes”, defende a manutenção da garraiada, alegando que o evento “não causa danos nos animais”.

A garraiada “é uma brincadeira com saltos e pegas”, afirma a página, sublinhando que estão em causa “valores” pelos quais “tantos se bateram na história da Universidade de Coimbra”.