Escola Agrária de Coimbra vai ter reserva natural de borboletas

A Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) está a recolher fundos para criar uma reserva natural de borboletas autóctones. A iniciativa, com fins pedagógicos, tem como intuito preservar estes insectos, alguns dos quais em perigo de extinção em Portugal.

A reserva, a instalar na mata da Escola, cujos terrenos ocupam cerca de 140 hectares, implica um investimento de cerca de 15 mil euros, sendo que metade desse montante se destina à instalação de “um berçário para a reprodução de espécies de borboletas autóctones”.

Envolvendo essencialmente professores e alunos da ESAC, em parceria com a associação para a inclusão social Hemisférios Solidários, a reserva será “uma importante contribuição pedagógica para o conhecimento, acompanhamento dos estágios e desenvolvimento e preservação desses insetos, alguns deles em perigo de extinção no nosso país”, sustenta Leila Rodrigues, uma das envolvidas no projecto.

Uma vez que os recursos para a concretização do projecto são escassos, a ESAC decidiu lançar uma iniciativa de ‘crowdfunding’, plataforma de financiamento colectivo, na Internet, através da qual já foram angariados cerca de mil euros (equivalentes a 13% do objectivo de 7.500 euros), doados por 42 apoiantes.

Além desta campanha, que termina no fim de Abril, os promotores do projecto estão também a contactar empresas no sentido de obterem mais apoios para a aquisição e instalação de uma estrutura metálica e acessórios, para recriar o habitat propício a um berçário de borboletas, adianta Leila Rodrigues.

O berçário, que exige um investimento de 7.500 euros, corresponde à primeira fase do projecto, que poderá, desde logo, ser aberto ao público, para mostrar “os diferentes estádios de desenvolvimento” das borboletas. Além disso, a reserva também sensibilizará os visitantes para “a importância [das borboletas] na polinização” e para “o equilíbrio e biodiversidade dos ecossistemas”, salienta Leila Rodrigues.

Tal como as abelhas, “as borboletas são polinizadoras, sendo por isso fundamentais para a dispersão das plantas”.

As nutritivas lagartas e “os imagos mais volumosos constituem um excelente alimento, contribuindo para o equilíbrio das cadeias tróficas”, sublinham os autores da ideia, referindo que “os morcegos e muitas aves insetívoras teriam muita dificuldade em sobreviver se não fossem as borboletas”.

A criação de uma reserva natural de borboletas autóctones na mata da ESAC é “um imperativo não só ético e ambiental de preservação da biodiversidade da região, mas também um instrumento de desenvolvimento económico pelo contributo essencial na preservação de habitats”, defendem os responsáveis pelo projecto, na sua página ‘crowdfunding’ (http://ppl.com.pt/pt/prj/reserva-natural-borboletas).

Com a reserva e o berçário para a reprodução de espécies de borboletas autóctones pretende-se “desenvolver investigação sobre as borboletas, evitar a extinção de espécies em risco e partilhar conhecimento e aprender mais sobre a importância das borboletas de Portugal”, concluem.