Entrevista ao presidente da União das Freguesias de Outil e Portunhos

Paulo Santos recebeu, pela segunda vez, o voto de confiança dos eleitores. Primeiro pela Junta de Freguesia de Outil, e, em 2013, pela União das Freguesias de Outil e Portunhos. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica, o jovem autarca, natural de Outil e eleito pelo PSD, tem como principais objectivos combater a solidão nos idosos e dar nova vida às antigas escolas.

AuriNegra (AN) – Começou enquanto presidente da Junta de Freguesia de Outil, no primeiro mandato, e no segundo passou a gerir uma União de Freguesias. Como correu esta mudança?

Paulo Santos (PS) – A união das freguesias foi muito pacífica. A população entendeu o processo e as pessoas não notaram diferenças na prestação dos serviços, porque mantivemos os dois edifícios a funcionar, com uma funcionária presente a tempo inteiro. A maior diferença é que existe mais gente para atender e mais problemas para resolver.

AN – Do trabalho que tem realizado enquanto presidente da Junta de Freguesia, qual a acção que mais destaca?

PS – O apoio aos idosos foi, sem dúvida, determinante, principalmente em Outil e Vila Nova. Quisemos criar um centro de convívio onde os mais velhos pudessem estar, pois havia uma escassez muito grande nestes dois locais. As obras foram feitas com fundos da Prodema e da Adelo e o centro pertence à Junta de Freguesia. Está aberto há cinco meses, das 9h00h às 17h00, e tem uma média de 20/25 pessoas por dia. Está a ter bastante sucesso.

AN – Pode-se considerar então que é uma freguesia que se preocupa com os mais velhos?

PS – Acho que é sobretudo uma freguesia envelhecida, pois, como todos sabemos, a taxa de natalidade tem vindo a baixar no nosso país e o nosso concelho não foge à regra, principalmente nestes meios mais pequenos. Felizmente não temos casos de precariedade graves. O objectivo é, acima de tudo, envolvê-los em actividades lúdicas e combater a solidão. No Centro de Convívio, por exemplo, eles jogam às cartas e ao dominó, têm aulas de expressão plástica, participam em palestras relacionadas com a saúde, entre outras actividades.

AN – Como é viver em Outil e Portunhos?

PS – Viver nestas freguesias acaba por ser viver em família. Toda a gente se conhece, há qualidade de vida – pela proximidade às cidades de Cantanhede e Coimbra, há segurança e acesso fácil à saúde (existem postos de enfermagem em Outil e Portunhos). São terras de gente pacata, que sabe receber, que tem boa comida e bom vinho.

AN – O associativismo é outras das bandeiras de Outil e Portunhos…

PS – Sem dúvida que o associativismo tem nesta União das Freguesias um papel preponderante. A esse nível temos o Clube União Vilanovense, actualmente desactivado, mas que durante anos fez um óptimo trabalho ao nível da arte cénica, organizando e participando no ciclo de teatro e organizando o festival RockOff. A Associação de Cooperação Social e Cultural Desportiva de Outil é outra das associações de cariz cultural, embora esteja também um bocadinho adormecida. As associações no activo são o CCRP (Clube Cultural e Recreativo da Pena) e o Pedra Rija.

AN – Como é que uma população mais envelhecida lida com um presidente tão jovem?

PS – As pessoas lidam muito bem. Como nos conhecem, acabam por nos ver como os “meninos deles”, porque nos viram crescer. Isso ajuda a criar uma relação mais próxima e facilita as coisas, porque um presidente de junta está aqui para servir as pessoas e o contacto directo é muito importante. Para resolver qualquer problema, a primeira pessoa que a população procura é o presidente de junta, não vão à Câmara, não vão ao poder central.

AN – Sente-se realizado como Presidente desta União de Freguesias?

PS – Todos os dias. Não existe hora de almoço em que não tenha algo a fazer ou que não ande sempre a correr para alguma reunião na Câmara, mas é uma entrega total. É um bichinho que se ganha. Só quem gosta, se candidata. Não é a questão da verba que nos dão, porque essa não é aliciante, é mais pelo reconhecimento do trabalho de alguém que quer deixar uma marca na sua terra.

AN – Que planos tem para o futuro de Outil e Portunhos?

PS – Neste momento temos em mãos o projecto de requalificação do polidesportivo de Portunhos. Queremos também transformar a escola primária de Portunhos num salão de eventos culturais. Como deixámos de ter escolas na União de Freguesias, queremos aproveitar esses edifícios para tentar dinamizar novas actividades. Vamos ainda requalificar, em Outil, o largo de Santa Rita, e, na Pena, a capela do cemitério e a zona do vale da Naia (que recebe o Encontro de Gaiteiros).