Detectorismo: um passatempo original

Há alguns anos era bastante comum vermos pessoas pelas praias, ao final da tarde, em grupo ou sozinhas, munidas de pequenos aparelhos que apitavam ao detectar metais. Hoje em dia o cenário é bem diferente. A lei portuguesa já não permite utilizar detectores nas praias, mas não é por isso que o detectorismo (assim se chama essa actividade) deixou de existir. Prova disso mesmo é René Bento, um aficionado por este passatempo, que actualmente gere uma empresa de venda de detectores de metais.

Natural da Venezuela, mas a viver há 15 anos no Corticeiro de Baixo (Mira), René experimentou pela primeira vez um detector de metais quando era criança: “Tudo começou como um hobby. O meu avô tinha um detector importado do Canadá e foi aí que tive a oportunidade de experimentar. Devia ter uns 12,13 anos. Na altura, passava muito tempo pelos campos agrícolas à procura de objectos perdidos”.

Depois dessa experiência em criança, durante anos René Bento não voltou a utilizar detectores, até que há cerca de cinco anos decidiu retomar a prática do detectorismo e, quase em simultâneo, criar uma loja online de venda de aparelhos (www.geohunter.pt).

“Constatei que em Portugal não era fácil encontrar detectores. Tinham que ser importados. Por isso, decidi, com a experiência que tenho em design, criar uma loja online onde comecei a vender algumas máquinas”, explica. Um ano depois, o negócio começou a crescer com a representação exclusiva de várias marcas internacionais e decide abrir uma loja física, em Cabeço Redondo (Corticeiro de Baixo), onde os clientes podem encontrar diversos modelos distintos de detectores, assim como roupas e acessórios associados à actividade.

Mas, afinal, o que é o detectorismo? “É um hobby destinado à busca de metais enterrados, com o uso de detectores de metais, em locais como praias, campos, terrenos de cultivo, entre outros”, começa por explicar René. No entanto, para além da procura de metais, o detectorismo é ainda uma boa actividade para quem gosta de caminhar e passar tempo ao ar livre. “Normalmente costumo praticar detectorismo uma vez por mês, com amigos ou clientes, que partilham a mesma paixão pela actividade. Chegamos a percorrer 15 a 20 quilómetros num dia”, frisa.

Para praticar detectorismo as exigências não são muitas: “Basta ter um detector de metais, tempo disponível e respeitar a legislação vigente”, refere. Os detectores variam de preço, mas na Geohunter o cliente pode encontrar máquinas que vão desde 170 euros até a vários milhares. “Depende muito do tipo de actividade que se quer fazer. Há detectores digitais, detectores analógicos, outros que detectam metais enterrados com mais profundidade que outros, entre outros aspectos”.

Ao longo dos anos dedicados ao detectorismo, René Bento encontrou de tudo um pouco. “Desde medalhinhas, das quais faço coleção, até alianças, fivelas, botões, brincos, e muito, muito lixo!…”, refere, realçando que a prática do detectorismo nunca pode ser feita com o intuito de enriquecer: “É, essencialmente, para descomprimir, divertir-me e conviver com amigos. É uma actividade muito boa para quem gosta de contacto com a Natureza, de conhecer novos locais, pessoas e, claro, também de fazer algumas descobertas”.

No entanto, e embora seja fã da actividade, há algo que o desmotiva: a lei portuguesa. “A última legislação relativa ao detectorismo é de 1999 e, como se pode perceber, está obsoleta”, afirma, sublinhando que “a lei já merecia ser revista, pois não é clara nem adequada aos tempos actuais. Diz que não é permitido utilizar detectores nas praias e que não se podem procurar objectos e artefactos relevantes para a história, para a arte, para a numismática ou para a arqueologia”.

Como bom exemplo no que diz respeito à legislação sobre detectorismo, René Bento fala da Inglaterra, onde é incentivado o uso de detectores de metais para salvaguardar o património histórico e onde, com a ajuda do Estado e de entidades que gerem o património, foram criados clubes de detectoristas. “Eles têm uma actividade organizada e tudo o que encontram de relevância para a história entregam depois às entidades responsáveis, que as colocam em museus. Segundo um estudo feito este ano, 75% das peças que se encontram nos museus foram encontradas por detectoristas. Ou seja, sem a cooperação deles, este património, provavelmente, ter-se-ia perdido para sempre”.

René Bento espera que, entretanto, a legislação portuguesa seja revista e permita ao detectorista obter uma licença para poder detectar nas praias. “Só traz mais-valias, uma vez que nós, detectoristas, seguimos um código de conduta que tem como regra tapar todos os buracos que fazemos e recolher todo o lixo que encontramos. Vendo bem, o detectorismo até seria uma das soluções para manter as praias limpas, livres de lixo ou de objectos cortantes e, ao mesmo tempo, devolver à circulação milhares de moedas que se estão a degradar nas praias, acabando, em simultâneo, por ajudar o ambiente”.

Brevemente, René Cavaco, através da Geohunter, pretende organizar um evento de detectorismo na região. “O objectivo é mostrar como o detectorismo é uma actividade interessante e com uma boa intenção. Queremos estabelecer um protocolo com uma Câmara Municipal, pedir licença para ir para uma praia e juntar detectoristas de todo o País, enquanto, ao mesmo tempo, limpamos o areal. No final pretendemos doar todos os achados a uma associação local”.

Outros usos dos detectores

A utilização de detectores de metais não é exclusiva de quem pratica detectorismo. Na verdade, são várias as empresas e entidades que os utilizam, para os mais variados serviços.

Através da sua loja, René Bento comercializa detectores de metais para todo o País. “Os meus clientes são, maioritariamente, empresas de arqueologia, de construção e de canalização, que precisam de detectores para identificar objectos enterrados ou em paredes”, explica. Outros dos produtos que vende muito são os detectores “para empresas de segurança, aeroportos, tribunais”.

Para se manter actualizado, o jovem participa em feiras internacionais, tendo sido a última há alguns meses, em França: “Tenho que andar sempre atento ao mercado, porque estão sempre a surgir novidades, e tentar expandir o nosso leque de produtos assim como as marcas que representamos. Esta semana, por exemplo, fomos escolhidos para representar a marca Minelab, uma das melhores da área, o que é um reconhecimento importante”.

“Desde 2009, a Geohunter foi-se tornando um nome familiar na indústria de detectores de metais pelos seus excelentes preços, profissionalismo honesto e excelente serviço ao cliente. Neste longo caminho tornámo-nos o maior fornecedor de detectores de metal em Portugal”, frisa o detectorista e empresário.