Daniela Heleno: a jovem bombeira que quer ser médica

Daniela Gonçalves Heleno, natural de Ourentã mas a viver em Cantanhede, foi a aluna vencedora do Prémio Lima-de-Faria, instituído pela Câmara Municipal para premiar o estudante com melhor média no final do Ensino Secundário, dentro das escolas do concelho.

Na entrega do prémio, a 25 de Abril, foi muita a emoção no momento de descrever a jovem, que para além de excelente aluna tem ainda uma forte actividade social.

Natural de Ourentã, mas a viver em Cantanhede desde a idade de um ano, Daniela Heleno encontra-se no 1.º ano de Medicina, na Universidade de Coimbra, e refere que desde pequena que é boa aluna.

“Quando entrei na escola primária já sabia ler e escrevia o meu nome. Desde os 3 anos que conhecia as letras todas e a minha mãe conta que comecei a juntá-las e a ler sozinha. Ela apenas me corrigia quando me enganava”, conta ao AuriNegra.

Ainda na escola primária, era comum a professora dar-lhe muitas fichas extra para fazer, “porque eu acabava muito mais rápido e se estivesse parada distraía os outros”, refere, divertida.

Com a entrada no 2.º Ciclo começou a paixão pela Matemática, que perdura até aos dias de hoje. “Quando fui para o 5.º ano tive um professor de matemática que puxou muito por mim. Concorri a vários concursos de matemática, tirando bons resultados a nível nacional”.

Mais tarde, no 9º ano, foi a aluna com melhor média na Escola Básica Marquês de Marialva, e recebeu o prémio da Caixa de Crédito Agrícola – que premeia os melhores alunos dos Concelhos de Cantanhede e Mira. Feito que repetiu em 2017, como finalista da Escola Secundária Lima-de-Faria.

Embora tenha boas notas, Daniela assume que nunca foi de se fechar no quarto a estudar muito. “Comecei a estudar mais quando fui para o 7º ano e já tinha muitas disciplinas com que me preocupar. Sempre tive muito boa memória e o que ouvia nas aulas, nos períodos em que não estava distraída, chegava-me para tirar boas notas. Só a partir do 9º ano é que comecei a estudar a sério para os exames nacionais”.

Os pais sempre promoveram e cultivaram o gosto pela aprendizagem: “Tinha um puzzle de letras na casa dos meus avós maternos e foi assim que comecei a aprender a ler. Depois, quando entrei para a escola, e para eu levar aquilo mais a sério, prometiam-me presentes se tivesse boas notas, que normalmente eram livros”.

No entanto, para além da parte dos estudos, Daniela sempre foi dinâmica e enérgica e, como tal, aos 8 anos decidiu, com o aval dos pais, entrar para os escuteiros, “o que me fez aliar a aprendizagem escolar com a aprendizagem de princípios, valores e vivências”. Pelo meio, Daniela é também acólita na Paróquia de Cantanhede e bombeira voluntária.

A receber o prémio Lima de Faria

Com efeito, a entrada para os bombeiros foi um sonho de criança tornado realidade. “Desde novinha que sempre gostei de aventura, de fazer algo pelos outros e da área do socorrismo e socorro, vendo-me como bombeira quando fosse ‘grande’. E isto reflectiu-se na minha entrada nos escuteiros, onde estive como socorrista durante vários anos. Depois, no verão de 2016, tinha eu 17 anos, fiquei sensibilizada com o incêndio que aconteceu na Mealhada, e decidi informar-me e inscrever-me como Estagiária nos Bombeiros Voluntários de Cantanhede, Ao longo dessa formação, o meu interesse e vontade pelo mundo dos bombeiros aumentou gradualmente, à medida que ia percebendo as áreas de actuação e o que é, de facto, ser bombeiro”.

Agora o tempo é cada vez mais escasso. Entre os estudos e as várias actividades em que se envolve, os escuteiros ficaram para trás. No entanto, guarda sempre espaço na sua agenda para os Bombeiros, “e quando venho a Cantanhede nos fins-de-semana faço os serviços que tenho escalados, trocando com os meus colegas quando calham durante a semana. Faço também os possíveis para comparecer quando o solicitam (por exemplo, quando tocam a sirene)”.

Já a Medicina surgiu há pouco tempo: “Mesmo nos últimos meses antes de concorrer à Universidade”.

“Sempre estive muito indecisa sobre o curso a seguir, e como gostava muito de matemática a minha inclinação ia para as Engenharias. Cheguei a ponderar ir para Engenharia Aeroespacial. Porém, em Janeiro de 2017 entrei no curso de Bombeiros, e ser bombeira pesou muito na minha decisão! As experiências e desafios que vivi como tripulante de ambulância, tanto a nível técnico/científico como a nível da relação com as vítimas, aguçou-me o interesse pela medicina”, explica-nos, acrescentando que o curso está a correr bem: “Ao princípio achava tudo muito diferente daquilo a que estava habituada: não tinha manuais escolares, não sabia por onde estudar, e isso causava-me confusão. Além disso, também me sentia um ‘peixe fora de água’: tudo era novo, desafiante, apelativo e assustador ao mesmo tempo. Mas é tudo uma questão de hábito. Agora ‘encarreirei’, como se costuma dizer, e as notas estão a ser boas. Estou com média de 17,25 ”.