Da água para o prato

Conhecida por ser uma técnica de cultivo onde não é necessária terra, a hidroponia – do grego hydro (água) e ponos (trabalho) – já é utilizada há muito tempo mas tem sido cada vez mais “recuperada” por empresas inovadoras que pretendem revolucionar as formas de cultivo.

Na LitoralRegas, com sede na freguesia do Seixo de Mira, a técnica, que é actualmente a principal aposta da empresa, tem sido aprimorada e recomendada aos clientes, que, deste modo, conseguem produzir mais e de forma mais ecológica e barata.

De acordo com Miguel Grego, um dos gestores da LitoralRegas, a hidroponia é uma técnica cada vez mais bem aceite entre agricultores. “Principalmente, porque traz imensas vantagens”, começa por explicar: “Com a hidroponia, o produto final acaba por ser de qualidade superior, e com aproveitamento total, pois é cultivado em estufas protegidas e limpas, livres das variações do clima, de insectos, animais e de outros parasitas que vivem no solo. Para além disso, chega-se a utilizar menos 75% de água, o que é um valor muito significativo, e também se reduz o uso de fitofarmacêuticos, por ser dentro de estufa. Ou seja, é uma técnica que parte de uma consciência ecológica muito grande.”.

A técnica permite ainda produzir em espaços muito menores do que na agricultura tradicional. “Para se ter uma noção, com a hidroponia, em mil metros quadrados pode-se ter uma produção de 350 toneladas de produto por ano, o que são número muito bons”.

Dentro da hidroponia existem várias técnicas diferentes como é o caso da NFT (Nutrient Film Tecnique), da hidroponia suspensa e oscilante e de outra que utiliza a fibra de coco.

No caso da NFT, a mais comum e rentável, as plantas são cultivadas em perfis específicos, a 80 cm do chão, onde circula uma solução nutritiva composta por água pura e por nutrientes dissolvidos, de acordo com a necessidade de cada espécie vegetal. A técnica é utilizada essencialmente no cultivo de leguminosas e espécies vegetais folhosas, como alface, rúcula, nabiça, espinafre, coentros, entre outros.

Já a hidroponia suspensa e oscilante consiste num sistema de produção em calhas suspensas, que têm um mecanismo oscilante, o que permite uma reutilização da água assim como a total ocupação do espaço disponível. O método começa a ser muito utilizado na produção de morangos, e tem permitido a pequenos agricultores produzir vários milhares de quilos desta fruta, em minifúndios.

Através da experiência na Litoral Regas, uma das mais importantes empresas portuguesas a actuar na área da hidroponia – desde a criação de software à aplicação dos sistemas –, Miguel Grego tem vindo a aperceber-se que a técnica é mais utilizada por jovens agricultores, “que apostam numa agricultura mais moderna e que contam, na maioria das vezes, com o apoio dos fundos comunitários”.

“Em Portugal a hidroponia tem vindo a tornar-se cada vez mais comum. Temos clientes espalhados de Norte a Sul mas também lá fora, em países como Porto Rico, República Dominicana e Angola. O próximo passo é chegar ao Médio Oriente e angariar clientes no Qatar e no Kuwait”, refere o empresário.

Tomates em fibra de coco

Nuno Duarte é um dos agricultores que já está rendido à hidroponia. O empresário de 43 anos tem, na Valeirinha, em Mira, um terreno de 0,2 hectares onde chega a produzir cerca de 30 a 40 toneladas de tomate por ano. Para tal, utiliza, desde 2013, uma técnica de cultura em substrato (fibra de coco) em vez de solo, e onde a nutrição é totalmente assegurada através da água de rega enriquecida com uma solução nutritiva.

Licenciado em agropecuária, Nuno Duarte já conhecia a técnica da hidroponia há mais de uma década e agora que a utiliza não podia estar mais satisfeito: “Nota uma maior precocidade à colheita, plantas mais homogéneas e maior controlo dos factores de produção”. Para além disso, acrescenta, “noto que há uma redução de doenças que normalmente as espécies vegetais apanham através do solo”.