CPCJ de Cantanhede e Município de Cantanhede apostam na prevenção da violência na comunidade escolar

Nos dias 3, 4 e 6 de Maio decorreram, na Biblioteca do novo Centro Escolar de Cantanhede, três sessões de teatro pedagógico, com a interpretação da peça de fantoches “Pedrão e Dona Onda”, seguida de uma conversa orientada com as crianças.

Esta actividade, dirigida aos alunos do ensino pré-escolar, foi desenvolvida através de uma parceria entre a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Cantanhede (CPCJC) e a Biblioteca Municipal.

O objectivo principal, que presidiu a esta iniciativa, foi abordar, junto deste público-alvo, questões relacionadas com a violência e o Bullying no meio escolar, sensibilizando os alunos para a adopção de práticas de convivência social construtivas e equilibradas.

Estas acções de teatro pedagógico foram propostas pela Comissão Alargada da CPCJ, em colaboração com o Município de Cantanhede, e constam do seu Plano de Acção para o ano de 2016. Pretende-se, desta forma, sensibilizar a comunidade para o respeito para com o outro e a prevenção de maus tratos entre seres humanos.

No dia 18 de Maio, realizar-se-ão mais três sessões sobre a mesma temática, desta feita dirigidas aos alunos do 1.º CEB. “Orelhas de borboleta” foi o texto escolhido, para abordar a referida temática com os alunos das turmas do 4.º ano, das EB 1 de Cantanhede e Cantanhede sul. As sessões acontecem às 10h00, 11h00 e 14h30, na Biblioteca do Centro Escolar de Cantanhede.

O teatro de fantoches, “Pedrão e Dona Onda”, baseia-se num texto infantil, escrito por crianças e para crianças, para elas próprias representarem. Elas escreveram os diálogos depois de lerem e explorarem o livro “Orelhas de Borboleta”, de Luisa Aguilar, da Editora Kalandraka. Os textos têm uma estrutura leve e conteúdos divertidos, podem ser lidos ou dramatizados, ajudando a despertar a atenção das crianças para a discriminação, perante características tão comuns como, por exemplo, ter orelhas grandes, usar óculos, ser gordinho, ter dentes tortos ou usar aparelhos nos dentes.

Os textos incentivam as crianças a “não rir ou gozar os outros” ou ainda “não magoar os colegas e os amigos”. De facto, teatro e livro, são o pretexto para muita conversa sobre o assunto e é isso mesmo que se pretende, de modo a promover valores como o respeito pela diferença e a aceitação mútua.

Os mesmos textos são interessantes para miúdos e graúdos, dado que também pais e outros educadores podem aprender, assim, a lidar com situações preconceituosas. Afinal, sempre podem transformar uma situação negativa em positiva, pois umas “orelhas grandes e compridas …podem tornar-se em ‘orelhas de borboleta’ ou ‘as borbulhas podem sempre ser sinais de boa pinta’”.

“Somos todos iguais, mas também somos todos diferentes. Temos que aprender a aceitarmo-nos e a respeitar os outros. Temos de tomar consciência de quando o nosso comportamento está certo ou está errado…para podermos melhorar e ajudar a construir um mundo melhor…desde pequeninos”, referiu uma das animadoras.

O Presidente da CPCJ de Cantanhede, Pedro Cardoso refere que “esta iniciativa de sensibilização, para além da dimensão lúdica e cultural, tem a particularidade de ser uma aposta na prevenção a partir das crianças e jovens. No fundo, tê-los em conta como sujeitos e não apenas como destinatários de acção. Acreditando que eles, nas suas relações entre pares, podem fazer muito pela integração e inclusão.

“Esta é mais uma iniciativa que decorre da aposta da Comissão Alargada da CPCJ de Cantanhede para 2016, que é precisamente a Prevenção, e por isso estarmos a trabalhar na conclusão do Projecto ‘Tecer a Prevenção’, na medida em que para nós a prevenção é uma estratégia de promoção dos direitos, conseguindo-se assim uma maior sensibilização/envolvimento da comunidade face à problemática da infância/juventude”, partilhou o também vereador da Câmara Municipal.