Clube de Ténis de Mesa de portas abertas

Ping pong… ping pong. É este o som mais ouvido quando se entra no Clube de Ténis de Mesa, em Cantanhede, uma secção do Sporting Clube Povoense. Situado nas antigas instalações dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede (por cima da loja do cidadão), a secção nasceu em 2010 e pretende permitir aos jovens (e também aos menos jovens) do concelho praticar um desporto diferente mas muito completo.

À frente deste projecto está Pedro Ratola, natural de Aveiro, mas a residir em Cantanhede há 13 anos, e que conta já com quase três décadas ligadas ao Ténis de Mesa.

Ao AuriNegra, o treinador do clube explicou o seu percurso, dentro da modalidade: “Comecei a jogar ténis de mesa na Casa do Povo de Oliveirinha, que frequentei até entrar para o curso de Desporto da Universidade da Beira Interior. Mesmo nesse período continuei a jogar num clube local mas depois vim trabalhar para Cantanhede e acabei por ficar cerca de 2, 3 anos sem jogar”.

Sem alternativas mais perto, voltou a “matar as saudades” da raquete e da bola num clube de Calvão, até que em 2010 decidiu criar, com o apoio logístico do Sporting Clube Povoense, a secção de Ténis de Mesa. “A Associação tinha por lá duas mesas e não tinham nenhuma secção de Desporto activa e por isso foi juntar o útil ao agradável”.

A paixão pelo ténis de mesa, explica-nos, veio desde bem cedo. “Já praticava na escola e por isso sabia que era algo que me agradava. Ainda andei indeciso entre o ténis de mesa e o andebol mas decidi-me pelo primeiro, por ser um desporto diferente mas ainda assim muito motivador”.

“O ténis de mesa é uma das modalidades mais completas, porque exige rapidez, um pensamento estratégico e rápido e uma grande capacidade de análise de situação. Há muito pouco tempo entre a recolha de informação, a análise e a decisão”, explica-nos, acrescentando ainda que é uma modalidade inclusiva “a todas as idades”.

Com efeito, na secção de Ténis de Mesa não há idade mínima nem idade máxima. Por ali temos atletas desde os 8 aos 63 anos, todos com uma coisa em comum: a paixão por este desporto. Actualmente com cerca de vinte membros, a secção  tem vindo a crescer mas pretende ir ainda mais longe.

“Começámos literalmente do zero, com apenas 4 atletas”, frisa Pedro Ratola. “Agora temos aqui pessoas que jogavam na escola e que ficaram com o ‘vício’, porque é um desporto muito viciante, ou que decidiram experimentar no clube e gostaram. Aqui, para além da formação desportiva damos muita importância à formação dos atletas enquanto seres humanos, e isso conta muito”, explica também João Diogo Ramos, dirigente da secção. De duas mesas (em mau estado) já passaram para sete. E dos treinos para as provas também foi só um saltinho; estando a equipa a competir actualmente na Segunda Divisão do Campeonato Nacional de Seniores, contra formações dos Açores, Seia, Alcains, Oliveira do Hospital, entre outras; na Taça de Portugal e nos campeonatos e provas distritais da Associação de TM de Coimbra.

Do palmarés do CTM de Cantanhede já fazem parte alguns títulos, como o de Campeão Distrital de Singulares Seniores e Juniores ou o de Campeões Distritais de Equipas Seniores em 2013/14.

Desporto e convívio

Na secção de ténis de mesa, em Cantanhede, os treinos realizam-se três vezes por semana (terças, quartas e sextas, de forma a facilitar os horários ao jovens atletas). E, por ali, se a concentração é muita, também são muitos os momentos de convívio e de diversão. Aos pares, os jovens vão treinando, de raquete na mão e sorriso na cara, orientados pelos treinadores Pedro Ratola e os seus novos colaboradores Tiago Pratas, João Laranjeiro, Gonçalo e Ricardo Balteiro, também eles atletas que passaram a ajudar na condução dos treinos. Quanto aos jovens atletas, vêm de Febres, Arazede, Cadima, Ançã ou Cantanhede e foi ali no clube de Ténis de Mesa que encontraram um novo hobby. “Alguns vieram através do desporto escolar, mas o engraçado é que vêm todos de vontade própria, à procura de algo diferente”, frisa João Diogo Ramos, que voltou a esta modalidade após 20 anos de interregno.

Catarina Guimarães, de 11 anos e natural de Febres, é um desses casos. A jovem diz que conheceu o Ténis de Mesa através de um primo e que depois de ter praticado ballet e natação decidiu-se por esta modalidade, da qual já não abdica. “Quis experimentar para ver se era uma boa experiência e se ia ser fixe e gostei, quer pelo desporto e pelo convívio”. Embora seja a única rapariga no clube, isso não a intimida, “é divertido e motivador à mesma” e não a tem impedido de alcançar excelentes resultados como o recente 2.º lugar no Torneio de Abertura da época 2017/2018.

Ao lado de Catarina está André Oliveira, de 16 anos, para o qual o ténis de mesa começou a tornar-se um “vício” ainda na escola, onde passava os intervalos junto da mesa. Quando soube do da existência da  modalidade em Cantanhede quis logo entrar e, entretanto, já lá vão 2 anos e meio. Embora já tenha passado por desportos como futebol e natação, foi no ténis de mesa que o jovem de Arazede encontrou o seu preferido. “Foi a dinâmica de jogo, a agilidade e a rapidez que me cativaram”.

Já para David Santos de 12 anos, a raquete na mão é quase imprescindível. “Já cheguei a estar a jogar umas cinco horas seguidas”, refere, divertido, o jovem natural de Ourentã, que até tem uma mesa em casa, “para nunca parar de praticar”.

Embora o objectivo principal deste projecto fosse desenvolver no concelho uma modalidade que não existia, agora passa também por levar o nome de Cantanhede mais longe. “Queremos fazer do ténis de mesa mais uma das bandeiras do concelho”, ressalva João Diogo Ramos, acrescentando que, para tal, está já a haver uma apresentação do trabalho desenvolvido junto de empresas e possíveis parceiros/patrocinadores para que ajudem nesse propósito. “A questão dos apoios é muito importante para que consigamos ir mais longe, visto que nos permitem apostar numa melhor estruturação e divulgação, de modo a que possamos também ter mais treinadores (como estamos já a fazer) e, consequentemente, receber mais atletas, proporcionando-lhes oportunidades de competirem”.

Organizar torneios e até mesmo campeonatos de lazer é outro dos objectivos. As portas estão abertas a todos os que queiram experimentar e, quem sabe, deixar-se apaixonar também. “Apareçam e venham praticar! E sigam-nos no facebook para irem acompanhando as novidades da secção em www.facebook.com/tenisdemesacantanhede”, convidam João Diogo Ramos e Pedro Ratola.

Sobre o ténis de mesa  

O ténis de mesa foi inventado na Inglaterra, no século XIX, onde era conhecido inicialmente como ping-pong. Com a criação de uma marca registada, começou a chamar-se ténis de mesa e é actualmente um desporto com regras, competições definidas e federações organizadas.

O desporto é um dos mais populares em todo o mundo e em Portugal também começa a ganhar terreno. “É um desporto que começa a ter maior visibilidade a nível nacional, sendo que os melhores atletas portugueses têm escolhido seguir carreiras internacionais”, refere João Diogo Ramos, relembrando, ainda assim, o caso do Sporting, actualmente na disputa na Liga de Campões, e a existência de um Centro de Alto Rendimento de Ténis de Mesa, no Parque da Lavandeira, em Gaia, onde treina a selecção nacional, Vice-Campeã da modalidade em 2017 e Campeã Europeia em 2014.

O ténis de mesa, considerado pela NASA como o desporto mais difícil que se pode praticar, é conhecido como sendo o desporto com o tipo de bola mais rápida do mundo e é o desporto de raquete que mais produz efeito de rotação na bola. Deste modo, traz várias vantagens para a saúde, como o melhoramento da circulação sanguínea; o desenvolvimento da velocidade de raciocínio e da habilidade; a melhoria da coordenação motora e dos reflexos e ainda a melhoraria da visão e do exercício dos nervos do cérebro.

Para praticar ténis de mesa não é necessário muito: uma mesa, rede, bola e raquetes, numa pequena sala é o suficiente… “e está tudo disponível aqui ao lado, em Cantanhede, para quem quiser experimentar!”

 

Catarina Guimarães, de 11 anos e natural de Febres

“Depois de ter praticado ballet e natação quis experimentar o ténis de mesa para ver se era uma boa experiência e se ia ser fixe e gostei, quer pelo desporto e pelo convívio”.

 

 

 

 

 

André Oliveira, de 16 anos, Arazede

“Experimentei na escola e nunca mais quis parar. Embora tenha praticado futebol e natação é o ténis de mesa o meu desporto preferido, pela dinâmica de jogo, a agilidade e a rapidez que exige”

 

 

 

 

 

David Santos, de 12 anos, Ourentã

“Já cheguei a estar a jogar ténis de mesa umas cinco horas seguidas. É um desporto que me motiva muito e até tenho uma mesa em casa para nunca parar de praticar”.