Ciclo Teatro Amador com espectáculos em Cantanhede, Zambujal e Cordinhã

O Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede tem programados mais três espectáculos, todos no sábado, designadamente as estreias do Grupo de Teatro S. Pedro (Paróquia de Cantanhede) e do Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal”, bem como a segunda actuação do Grupo de Teatro Musical de Covões, que irá cumprir na Cordinhã a sua jornada de itinerância.

A primeira subida ao palco do Grupo de Teatro S. Pedro terá lugar no Centro Paroquial S. Pedro, em Cantanhede, às 21h30, para a representação Do Céu à Terra, segundo um texto adaptado por Dulce Sancho a partir do filme O Milagre de Fátima. Assinalando os 100 anos das aparições, a peça remete para o contexto económico e social em que se vivia na pequena aldeia de Aljustrel e propõe uma reflexão sobre os sentimentos, as dúvidas e as emoções vividos pelos protagonistas do acontecimento, os pastorinhos, e seus familiares e amigos.

Igualmente às 21h30, mas na antiga Escola Primária do Zambujal, é o Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal” que vai apresentar O Sol na Floresta. Trata-se de uma comédia de Romeu Correia cuja acção decorre no seio de uma densa floresta onde reside o Ti Resina e a sua filha Manuela, jovem casadoira que pretende encontrar um homem para se casar. Para tal, dispõe-se a tudo, mesmo que tenha que lançar um feitiço. Numa clara e divertida referência ao povoamento e à vida comunitária, o sol brilha com maior intensidade por cada árvore que é abatida, pois mais um homem surge e tudo se transforma.

Também às 21h30 de sábado, o Grupo de Teatro Musical da Filarmónica de Covões desloca-se ao salão da Associação de Instrução e Recreio de Cordinhã para representar, pela segunda vez, As Perspectivas do Amor. Com encenação de Ana Teresa Oliveira, o espectáculo é uma espécie de ensaio musicado sobre as diferentes cambiantes do mais sublime dos sentimentos humanos. É uma viagem no tempo e no espaço em, pelo menos, quatro línguas e vários géneros musicais, como a ópera ou o teatro musical, mostrando desse modo um pouco de trabalho desenvolvido nas aulas de canto da escola de música.

Sobre o Grupo de Teatro S. Pedro

Nascido do grupo Coral Litúrgico da Paróquia de Cantanhede, em 2005, com a realização dos primeiros ensaios, o Grupo de Teatro S. Pedro juntou o gosto de cantar e o gosto da representação com a dedicação à causa da Igreja local e preparou a sua primeira apresentação para a inauguração do Centro Paroquial S. Pedro, em Junho de 2006.

Tratou-se de um musical intitulado “Festa na Aldeia” que contou maioritariamente com elementos do grupo litúrgico e do Grupo de Jovens de Cantanhede e cujo primeiro objetivo era angariar fundos para o referido Centro. Dada a grande aceitação por parte do público da cidade e do concelho, integrou, em 2007, o IX Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, organizado pela Câmara Municipal.

Em 2008 participou no X Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede com o musical “J.C. Ontem, Hoje e Sempre” que reapresentou na edição anterior com os devidos ajustes. Em 2009, levou a palco “Recordar… e viver…”, no ano seguinte representou “Tributo ao passado” e em 2011 “De malas feitas”. Em 2012, participou no Ciclo de Teatro com a peça “Uma história com fado”, no ano em que o mesmo foi classificado pela UNESCO Património Imaterial da Humanidade.

Fazem parte deste grupo cerca de 25 atores, jovens e adultos e é sua orientadora Maria Dulce Sancho, autora dos textos com o grupo se apresenta, não dispensando todas as colaborações dos elementos do Grupo.

 

Sobre o Grupo de Teatro As Fontes do Zambujal

O Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal” foi constituído em 1996 e é composto actualmente por cerca de 20 elementos, maioritariamente das localidades de Zambujal e Fornos. A sua designação é uma referência às quatro fontes de origem romana que existiram no Zambujal, designadamente Fonte de Rodelos, Fonte Má, Fonte Perto e Fonte Seca.

As raízes desta formação teatral podem ser encontradas em 1954, mais precisamente em 27 de maio, data em que foi fundado um agrupamento com o nome “Viva O. R. Zal” (Viva o Rancho do Zambujal). A iniciativa partiu de alguns indivíduos da comunidade que pretendiam desenvolver actividades de lazer para preencher os seus tempos livres, assim como manter vivas a tradição e a autenticidade dos trajes danças e cantares do Zambujal.

Depois de uma interrupção de alguns anos, o Grupo retomou o seu funcionamento em 1992, sob a nova designação de Grupo Folclórico “Os Malmequeres do Zambujal”. Em julho de 1995, passou a integrar a Associação Juvenil do Zambujal e Fornos, mais precisamente a sua secção de folclore, e em 1996 filiou-se no INATEL.

É nessa mesma altura que surge o Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal” que inicia um trabalho de produção teatral regular apresentando uma a duas peças anualmente, por altura da quadra natalícia e participando no Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, desde a sua primeira edição.

Em 1998, faz a sua primeira apresentação fora da terra, mais precisamente nas Franciscas, no âmbito do I Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, com as peças “Falar Verdade a Mentir” e “O Senhor”. No ano seguinte faz um périplo por várias localidades do Concelho de Cantanhede com as produções “O Céu da Minha Rua” e “Terra Firme”.

A peça que ensaiou e apresentou de seguida, no Natal de 2000, a comédia em três atos “Dois Maridos em Apuros”, constituiu-se como um grande sucesso perante o público, sendo apresentada igualmente no Ciclo de Teatro de Cantanhede do ano seguinte. Em dezembro de 2001 esta formação teatral apresentou a comédia “O Padre Piedade”, que também apresentou no Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, em 2002.

Nos anos seguintes levou à cena as peças “A Carta Anónima”, em 2003, a comédia “O Processo de Mário Dâmaso”, em 2004, o drama “As Rosas de Nossa Senhora”, em 2005 e, em 2006, a comédia “Mendonça & Mendonça”. Na presente edição do Ciclo de Teatro Amador, leva a palco a peça com que participaram na primeira edição, “Falar Verdade a Mentir” de Almeida Garrett.

Desde o início da sua atividade que cabe a Dinis Fatia, actualmente Presidente da Assembleia-Geral e Coordenador do Grupo de Teatro, escolher as peças a serem apresentadas, bem como distribuir os diferentes papéis pelos atores, atendendo sempre às características e capacidades de cada um. É também o autor dos cenários, passando largas horas a pintar as imagens que servem de fundo à atuação dos atores e cede, na sua própria casa, o espaço para os ensaios.

Sobre o Grupo de Teatro Musical da Filarmónica de Covões

A memória colectiva, sobretudo de transmissão oral, sustenta que a 13 de Junho de 1868, “um grupo de homens liderado por Manoel Francisco Miraldo formou pela primeira vez a Banda de Covões para tocar na festa de Santo António, padroeiro da localidade.”

Pessoa distinta, bem formada e com ligações a um movimento político e a personalidades bem colocadas, Francisco Manoel Miraldo terá liderado a fundação da filarmónica mais vetusta do concelho de Cantanhede, recrutando para o efeito instrumentistas entre os rapazes de Covões e das localidades mais próximas, “jovens com a pele queimada do sol e as mãos calejadas do trabalho agrícola que se juntavam, em ambiente de convívio, para aprender música, tomar contacto com os instrumentos e treinar movimentos de marcha”.

No âmbito do trabalho desenvolvido na disciplina de canto da sua escola de música, formou-se em 2016 o Grupo de Teatro Musical de Covões, que conta já com diversas apresentações nos concelhos de Cantanhede e de Mira.