Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede começou com encontro com Maria Rueff

O encontro com Maria Rueff foi o ponto alto da sessão de abertura do 20.º Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede, que decorreu no auditório da Biblioteca Municipal, no passado sábado, 13 de Fevereiro, com a presença da presidente da Câmara Municipal, Helena Teodósio, e do vice-presidente da autarquia, Pedro Cardoso. Convidada para assinalar o início do programa de dinamização da actividade teatral que se prolonga até 24 de Março, com a participação de 17 grupos cénicos, Maria Rueff manifestou-se “muito honrada pelo convite para esta iniciativa tão bonita de promover o teatro no que ele tem de mais genuíno, que é a entrega e dedicação das pessoas sem esperarem qualquer retorno que não seja viver essa experiência partilhando-a com os outros”.

A sessão começou com uma apresentação de momentos marcantes da vida da atriz, que, visivelmente emocionada, agradeceu “este registo tão comovente” e falou da “ironia que é alguém cuja missão é fazer rir estar em Cantanhede a chorar”. Maria Rueff viveu os primeiros anos da adolescência em Cantanhede – terra natal de seu pai –, na sequência do regresso da família de Moçambique, aquando do processo de descolonização. “Esses anos em Cantanhede foram muito marcantes, sem dúvida”, lembrou, salientando a propósito as amizades que fez e “os lugares que estão bem presentes na memória, como a Corredoura (Largo Cidade do Funchal), para onde ia namorar”.

O teatro veio mais tarde, uma opção a que não foi alheio “o privilégio de ter nascido numa família que cultivava o interesse pela cultura e pelas letras”, a influência do pai, “homem de vasta cultura, poeta autodidata e ator amador” e “o apoio da minha mãe, quando decidi iniciar a carreira de atriz, deixando de parte o curso de Direito. O ambiente familiar em que vivi, com pais maravilhosos e cinco irmãos igualmente maravilhosos, explica o que sou hoje”, sublinhou.

Na respostas às questões colocadas pela assistência, Maria Rueff referiu a importância do trabalho com “mestres como Herman José, Armando Cortez e outros”, recordou que “a função do teatro é suscitar emoções, o que, como dizia Nicolau Breyner, faz dos atores médicos da alma”, e considerou que “a comédia, sendo especialmente exigente, é também muito generosa: exigente porque na verdade é difícil fazer rir; generosa porque permite aos atores ultrapassarem mais facilmente situações difíceis, aqueles impasses que às vezes surgem na representação”.

Antes da conversa de Maria Rueff com o público, a presidente da Câmara Municipal, Helena Teodósio, tinha agradecido à atriz “a disponibilidade em vir a Cantanhede participar na abertura do 20.º Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede, ou seja, no início de mais uma grande jornada em torno da arte que a celebrizou e lhe confere o relevante estatuto que os portugueses lhe reconhecem”.

 

 

A líder do executivo camarário inclui Maria Rueff “na muito restrita galeria de artistas que reúne a unanimidade da crítica e do público, certamente pelo seu trabalho de composição em que ressalta uma extraordinária capacidade para se transfigurar em múltiplos registos e o talento para criar aquelas figuras que subvertem as limitações, as insuficiências e as contradições da natureza humana”.

Sobre o início do ciclo de teatro, a autarca enfatizou “o alcance cultural desta iniciativa que a Câmara Municipal organiza desde há 20 anos consecutivos, no âmbito de uma frutuosa relação de parceria com o movimento associativo. Estão envolvidos no processo 17 grupos de teatro, num total de 350 pessoas, entre atores e outros elementos que trabalham produção e montagem de espetáculos”, adiantou Helena Teodósio, destacando “a mobilização da juventude, a partilha de experiências entre gerações e o intercâmbio entre os grupos cénicos como fatores que exercem uma função integradora, favorecem o relacionamento intergeracional, aproximam as comunidades e fomentam a coesão social”.

No decurso da sessão de abertura do 20.º Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede foram entregues diplomas de participação aos 17 grupos cénicos intervenientes.