Casamento de brincadeira

Lar Nossa Senhora dos Remédios, Corticeiro de Cima.

Aos 18 dias do mês de Dezembro, sexta-feira, estava eu, José Mendes, de 83 anos, sentado na minha cadeira dentro do salão de convívio, vendo televisão, onde estava também Soledade Heleno, de 83 anos, sentada na sua cadeira, com mais pessoas.

Aparece por ali a responsável do lar com as seguintes palavras: “José Mendes e Soledade Heleno, vocês são noivos, têm a mesma idade, são vizinhos, comem juntos à mesma mesa, vivem na mesma casa, cada qual tem o seu quarto, a sua cama para dormir. Aceitam um novo casamento?” Olhámos um para o outro e dissemos que sim ao mesmo tempo.

“Trata-se de uma brincadeira”, disse a responsável, que continuou: “Então se aceitam eu vou telefonar aos vossos familiares e a alguns amigos”.

No dia 20 de dezembro, domingo, realizou-se o casamento pelas 16h30. A mulher nasce para o homem e o homem para a mulher. As alianças foi o próprio noivo que as fez em arame dourado.

Havia muitas pessoas na Festa de Natal do Lar e muitos bolos…Tudo correu bem. O noivo e a noiva, na véspera do casamento, trocaram as seguintes palavras: “A fortuna que o noivo tem é incalculável e será para os seus herdeiros, a fortuna que a noiva tem é incalculável e será para os seus herdeiros”.

Ambos assinaram. O casamento, se ficar com separação de bens e pessoas, faz pensar duas vezes. Senhores leitores, onde o noivo se foi meter. Brevemente vai haver separação.

(Autor: José Augusto de Jesus Mendes – assinante do AuriNegra)