Cantanhede e Mira sob fogo (em actualização)

Este fim-de-semana foi de terror para os portugueses, com o país a arder de Norte a Sul.

No total foram 523 os incêndios florestais que lavraram. Até ao momento, a Protecção Civil já confirmou 44 mortos, registados nos distritos de Viseu , Coimbra , Guarda  e Castelo Branco. Há ainda 71 feridos, , 16 graves.

Os concelhos de Mira e Cantanhede não escaparam às chamas, e a noite foi de medo para centenas de pessoas que tiveram que deixar as suas casas para fugir ao fogo.

Vista da Tocha, durante a tarde de domingo

O incêndio que começou em Quiaios, na Figueira da Foz, rapidamente chegou à Praia da Tocha, levando, por volta das 17h, à evacuação do parque de campismo.

A violência do incêndio, impulsionado pelos ventos fortes, passou para a Praia de Mira, tendo-se alastrado depois a várias localidades do concelho.

Por volta das 19h00, a nuvem de fumo já era densa na Praia de Mira. Pouco tempo depois, a Câmara Municipal de Mira evacuou as urbanizações Miroasis e Miravillas.

O fogo continuou a lavrar no sentido Mira, com maior violência no lugar dos Leitões, onde arderam algumas casas e viaturas, no Seixo, onde a zona industrial ardeu em parte, e lugares como Portomar, Ermida, Corticeiro de Baixo, entre outros.

Leitões – Mira

De acordo com o Presidente da Câmara Municipal de Mira, Raul Almeida, houve focos de incêndio em todas as aldeias do concelho e os bombeiros no terreno são apenas os 40 voluntários de Mira.

Terão também ardido, de acordo com o autarca, cinco empresas na zona industrial, nomeadamente a SIRO.

De madrugada as chamas chegaram ainda à localidade do Corticeiro de Cima, de onde não chegaram a passar, em direcção a Cantanhede.

 

Ao longo da noite de domingo e esta terça-feira foram chegando várias informações 

  • Várias casas e viaturas arderam no lugar de Leitões (Mira) e lugares da Freguesia da Tocha
  • Na Zona industrial do Seixo 5 empresas arderam
  • Na Zona Industrial da Tocha ardeu uma fábrica de cerâmicas
  • O incêndio chegou até Corticeiro de Cima, onde aconteceu, ainda durante a tarde de segunda-feira um reacendimento, rapidamente dominado
  • Ainda durante a tarde de ontem (segunda-feira) houve pequenos reacendimentos na Praia de Mira / Leitões
  • Durante a tarde de quinta-feira, o fogo numa das empresas da Zona Industrial de Mira Polo 1 levou ao encerramento, por precaução, da A17, nos dois sentidos, entre os km 87 e 97, no troço Mira/Santo André de Vagos.
  • Tanto o liceu de Mira como o Quartel dos Bombeiros não arderam, ao contrário do que circulava pelas redes sociais
  • Escola do Agrupamento de Escolas de Mira reabriram na terça-feira
  • As estradas encontram-se todas transitáveis, mas recomenda-se que evitem as zonas florestais ardidas ou por arder. Atenção para com os animais que foram libertados
  • Várias localidades  mantém-se  sem comunicações

Entretanto, os incêndios que afectavam a região foram extintos e todas as estradas estão circuláveis.

O alerta vermelho, que era até às 20h desta segunda-feira (16.10),  mantém-se  até  às 20h00 de hoje (terça-feira).

O quartel dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede, está desde domingo, a receber pessoas que necessitem de apoio. No local estiveram várias dezenas de pessoas, dos concelhos de Mira e de Cantanhede, a quem foi disponibilizada comida, assistência médica e um local para dormir. Quem necessitar de ajuda pode dirigir-se ao local.

 

ANIMAIS

Com a proximidade do fogo, a Associação dos Amigos dos Animais de Mira (situada na Praia de Mira) viu-se obrigada, ontem à noite, a soltar os animais ali alojados. Entretanto, e depois de recuperarem alguns dos cães, as chamas estão novamente a chegar ao Abrigo.

“Pedimos a quem puder acolher alguns dos nossos animais que se dirija ao abrigo, por favor. Assim, se precisarmos de os soltar serão menos à mercê dos muitos perigos”, apelam.

Entretanto, pedem à população uma atenção redobrada na estrada, “pois será normal um número acrescido de animais a circularem na via pública”.

(actualizada às 10h30 de 19 de Outubro)