Campeã da pontaria

Até 2013, Vanessa Margarida Simões Cruz, natural de Póvoa de Garção (Mealhada), nunca tinha pegado num dardo. Conhecia o desporto de ver amigos e conhecidos a jogar em cafés, mas ainda assim nunca havia experimentado a sua sorte e pontaria.

O que agora chama de “vício” começou somente quando, após cerca de dois anos a trabalhar em Febres por conta de outrem, decidiu abrir negócio próprio e se tornou proprietária do Bar Nilde, na Fontinha. “Algum tempo depois de abrir, vieram propor-me ter cá uma máquina de dardos. Uma vez que o que se ganha nessas máquinas é à percentagem – não dando prejuízo – decidi aceitar”, recorda.

Nos “tempos mais mortos” do dia começou a divertir-se na máquina e rapidamente, aquilo que inicialmente era uma mera diversão, tornou-se em algo mais sério.

“Comecei a ver que tinha jeito e, como tinha uma boa média, decidi começar a competir”, conta ao AuriNegra.

Primeiro, estreou-se nos torneios locais que decorrem todas as semanas nos cafés aderentes do concelho, onde foi ganhando alguma reputação. Mais tarde, aventurou-se em provas distritais e nacionais.

No total, Vanessa Cruz refere já ter participado em dezenas de torneios. Os títulos ganhos também já são muitos, até porque, como nos diz, rara é a vez em que participa e não fica no pódio. “Consigo quase sempre ficar nos três primeiros lugares, o que é muito bom para quem começou a jogar há tão pouco tempo”, sublinha.

No fim-de-semana de 13 e 14 de Junho, Vanessa Cruz sagrou-se campeã nacional feminina de nível 2 (existem três níveis), no Campeonato Nacional de Dardos, que teve lugar em Gondomar. A competição, organizada pela Associação Nacional de Dardos, contou com a presença de mais de 500 aficcionados pelo jogo de dardos, oriundos de todo o País.

“Foi uma experiência espectacular, pois juntou centenas de pessoas com a mesma paixão. Nestas provas fazemos muitos amigos”, refere a jovem de 26 anos.

Para Vanessa Cruz, participar nestes torneios é importante, não só pelo gosto que lhe dá mas também pela visibilidade que traz ao seu negócio. “Quando participo acabo por representar o meu café e isso traz vantagens”, refere. Além disso, acrescenta, “os prémios monetários que se ganham são também uma mais-valia”.

Já no Bar Nilde os clientes acabam por conviver muitas vezes em volta da máquina. “A máquina de dardos faz mexer o negócio. As pessoas acabam por consumir mais no bar, ao mesmo tempo que aproveitam para conviver e divertirem-se”.

Nas provas, a jovem afirma que o essencial é manter a concentração. “Ou fazemos na desportiva ou com um objectivo. Como o meu objectivo é ganhar, faço um esforço para me concentrar ao máximo e estar bem nesse dia. O resultado depende muito do estado da nossa mente. Assim que o dardo sai da mão já sei se vou acertar ou não”, explica-nos.

Habituada a ganhar, a jovem admite que, por vezes, “falhar custa” mas que o importante é ser persistente e continuar a treinar e a participar em torneios, até porque, como refere, a sua presença “depois de estar tantas vezes nos pódios, começa a ser quase obrigatória. Já é uma grande responsabilidade”.

“Agora o meu objectivo principal é ser campeã nacional na categoria 1, que corresponde a quem tem as melhores médias”, conclui, enquanto se prepara para mandar mais uns dardos.

Autor: Redacção (Carolina Leitão)