Câmara de Cantanhede manifesta voto de pesar pelo falecimento de Ângela de Oliveira

A Câmara Municipal de Cantanhede aprovou, por unanimidade, na reunião camarária de ontem, 1 de Março, “um sentido e respeitoso voto de pesar pelo falecimento, a 15 de Fevereiro, da Dr.ª Ângela de Oliveira, viúva do escritor Carlos de Oliveira, que foi também depositária e guardiã de todo o património inerente à sua vida e obra”.

Apresentada pelo presidente da autarquia, João Moura, a proposta refere que a Ângela de Oliveira manteve uma “profícua relação de cooperação com o Município de Cantanhede em todas as ações desencadeadas no sentido de promover o conhecimento do legado intelectual e humano de um dos maiores expoentes da literatura portuguesa do século XX, através do reforço de mecanismos tendentes a favorecer a intensificação do estudo do seu universo literário distintivo”.

Das diversas iniciativas levadas a cabo “com o apoio entusiástico da Dr.ª Ângela de Oliveira”, destacam-se a organização da exposição “A Gândara – Paisagem Povoada” integrada no projecto Rota dos Escritores do Século XX, promovido pela Comissão de Coordenação da Região Centro (CCRC), bem como a comparticipação financeira atribuída ao filme “Sobre o Lado Esquerdo”, de Margarida Gil, centrado na vida e obra do escritor.

O autarca aponta depois como “as acções mais relevantes que contaram com a intervenção directa e decisiva da Dr.ª Ângela de Oliveira, a criação do Prémio Literário Carlos de Oliveira, cujo júri integrava, nas últimas edições através de um representante, e a Casa Carlos Oliveira, em Febres, entretanto inaugurada a 20 de Fevereiro e que irá funcionar como centro de dinamização de actividades culturais em torno da vida e obra do autor, de acordo com os objectivos que levaram a autarquia a adquirir e a reabilitar o imóvel onde o escritor viveu alguns anos da juventude”.

Segundo João Moura, “esse pólo cultural recria um pouco do ambiente em que foram escritas obras marcantes como ‘Uma Abelha na Chuva’, ‘Casa na Duna’, ‘Alcateia’, ‘Pequenos Burgueses’ e ‘Finisterra’, entre outras. Essa recriação só foi possível graças ao espólio cedido pela Dr.ª Ângela Oliveira”, do qual faz parte um considerável acervo bibliográfico, mobiliário do escritor da sua casa de Lisboa, um retrato da autoria de Lima de Freitas, e alguns quadros pintados pelo próprio Carlos de Oliveira.

“É com um sentimento de grande tristeza que nos confrontamos agora com o falecimento da Dr.ª Ângela de Oliveira, poucos dias antes da inauguração do espaço cultural que tão generosamente ajudou a criar”, conclui João Moura.